domingo, 2 de setembro de 2012

Público, público meu... Branca de Neve de volta às telas!

Histórias fabulosas sempre foram contadas pela humanidade. Os contos de fadas são narrativas curtas que tem por objetivo transmitir conhecimentos e valores culturais por meio da fantasia. A finalidade desses contos é educar, passar uma “lição de moral”. Com uma linguagem simples e transparente são, geralmente, destinados às crianças, mas leitores de todas as idades são atraídos por eles.

Contudo, as histórias populares que deram origem aos contos de fadas não eram originalmente feitas para crianças e seu foco não era o ensinamento da conduta moral. Eles abordavam doses fortes de adultério, incesto, canibalismo e mortes hediondas. Foi Charles Perrault, na França do século XVIII, quem deu início ao que hoje se denomina “literatura para crianças e jovens” (ALBERTI, 2006), gênero que floresceu no século XIX com o Romantismo.

Mesmo se tratando de narrativas que contam histórias ficcionais e fantasiosas, o leitor/ouvinte encontra relações com a realidade do seu cotidiano, uma vez que o gênero apresenta conflitos comuns a todos, independentes da cultura (tais como conflitos familiares relativos à formação da personalidade e à passagem para a vida adulta), o que lhe garante uma universalidade. Dessa forma, o gênero conto de fadas “abre as portas” para o mundo literário infantil e contribui para o “crescimento intelectual e afetivo dos pequenos leitores” (ALBERTI, 2006).

Os novos contos de fadas ganharam espaço em séries de TV, filmes e livros. Um exemplo é a história de Chapeuzinho Vermelho que em sua nova versão, também em filme, se chama “A garota da capa vermelha”. Neste ano, duas novas versões para o clássico “A Branca de Neve” apareceram nos cinemas. São elas: “Espelho, espelho meu” e “A Branca de Neve e o caçador”.


Em “Espelho, Espelho meu”, o rei (Sean Bean) morre e sua esposa (Júlia Roberts) assume o trono. Para manter uma rotina de ostentação, ela aumenta o preço dos impostos e a frequência com que são cobrados. Além disso, ela mantém a princesa, sua enteada, Branca de Neve, presa no castelo e faz com que todos acreditem que ela é incapaz de assumir o trono, pois é uma “menina tola”. Ao completar 18 anos, Branca de Neve resolve sair do castelo para conhecer o reino e se depara com um povo pobre e triste. Ela decide recuperar seu lugar no reino e, para isso, contará com a ajuda dos anões e do príncipe.

“Espelho, Espelho meu” traz uma rainha falida e desesperada para conquistar o príncipe encantado, anões ladrões e uma princesa que luta para devolver a alegria para seu reino. Com essa releitura de um dos mais populares contos de fadas, a diversão é garantida. 

A outra versão recentemente adaptada do clássico conto de fadas é “A branca de Neve e o Caçador”. No filme, Branca de neve (Kristen Stewart) ameaça o posto da Rainha (Charlize Theron) como mulher mais bela da terra. Isso deixa a Rainha enfurecida e ela ordena que o caçador (Chris Hemsworth) mate a jovem. Mas ele não cumpre a ordem e transforma-se no defensor de Branca de Neve. Assim começa a aventura. O clima épico de ação e aventura predomina nessa adaptação.

video

 Trailler de “A Branca de Neve e o Caçador”.
Direção: Rupert Sanders / Gênero: aventura / Duração: 127 min. / Elenco: Kristen Stewart, Charlize Theron, Chris Hemsworth, Bob Hoskins, Ray Winstone, Ian McShane, Ooby Jones, Nick Frost, Sam Claflin, Eddie Marsan, Lily Cole, Vicent Regan.



Com o exposto, percebe-se que o Cinema apropria-se da literatura, porque ela “é um sistema ou subsistema integrante do sistema cultural mais amplo, que permite estabelecer relações com outras artes ou mídias” (CAMARGO apud CURADO, 2007, p. 1).

Autores de literatura não escrevem pensando em um roteiro cinematográfico, mas, sua transformação em cinema se caracteriza pela relação entre as mídias “a qual dá espaço a interpretações, apropriações, redefinições de sentido” (CURADO, 2007, p.2), ou seja, basear-se em obras prontas, atribuir novas versões e, dessa forma, cria-se uma nova obra a partir da original, que permite o acesso à obra a quem não tem acesso à versão tradicional dos grandes escritores e também pode ser  um recurso  para instigar a curiosidade e despertar o interesse pela leitura. 
Para quem prefere a tradição, segue o desenho original de “A Branca de Neve”:

Referências:
ALBERTI, B. Patrícia. Contos de fadas tradicionais e renovados: uma perspectiva analítica. Dissertação apresentada ao Programa de pós-graduação em Letras e Cultura Regional. Caxias do Sul, 2006.

Sites:

Imagens:

Grupo 5: Contos de Fadas na atualidade.


Nenhum comentário:

Postar um comentário