quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Trem de Ferro - Manuel Bandeira

Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virgem Maria que foi isto maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Café com pão
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
Oô..
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
De ingazeira
Debruçada
Que vontade
De cantar!
Oô…
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficia
Ôo…
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Ôo…
Vou mimbora voou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Ôo…
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente…

  A poesia pode ser tratada como uma cantiga de roda, em que o autor nos chama para o mundo do lúdico da criança. Esta poesia de influência modernista possui versos livres e é marcada por sua musicalidade que é adquirida com a métrica, a assonância e a aliteração. Outra marca da musicalidade que não podemos deixar de observar no poema é a linguagem que por ser coloquial e interiorana deixa a poesia mais rica.

Exemplo:

“prendero”/ prenderam, “canaviá” / canavial, “oficiá”/ oficial, “matá”/matar, “mimbora”/ embora.

  Podemos observar que a musicalidade nos dá a ideia da imitação do movimento de um trem, o ritmo do trem pode ser marcado com as sílabas poéticas do verso, quando veloz trissílabos, quando este perde a velocidade possui quatro ou cinco sílabas poéticas. A repetição dos versos “café com pão” produz uma sequência de sons oclusivos explosivos, que em alternância com os sons fricativos se assemelha ao barulho do deslocamento de uma locomotiva sobre trilhos. 
  Não podemos deixar de falar da década de 1930, época que foi feito o poema, nessa década o trem era o principal meio de transporte sendo importante para o desenvolvimento econômico e social da época. A crise de 1929 fez com que o café entrasse em crise dando lugar novamente para a cana-de-açúcar que é citada no poema. 

“Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficia”

  Nesse trecho observamos uma crítica quanto o trabalho nos grandes canavieiros, que até hoje são considerados trabalhos escravos, pois o salário é extremamente baixo. 
  Abaixo veremos uma apresentação da poesia trem de ferro na voz do ator e diretor Luiz Thomas.


Grupo 3: Poesia Infantil

Um comentário:

  1. Parabéns, as postagens do grupo que trata de Poesia Infantil (GT3, certo?)estão muito boas no geral, tratando-se de conteúdo, originalidade, estilo do texto, desing e utilização do hipertexto, porém pecam muito na correção gramatical, o que acontece, pelo menos, na metade das postagens. Isto desvaloriza o trabalho de vocês. Escolham uma ou duas pessoas no grupo para fazer o trabalho de revisão e correção gramatical das postagens. Esta recomendação é para todos os grupos, mas especialmente para vocês e o GT5 (Obras Premiadas).
    Nos vemos na JIOP, vejam novidades e inscrições prorrogadas até dia 14 na Revista Outras Palavras. Até!

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