sábado, 17 de setembro de 2011

Mais Respeito, eu Sou Criança - Pedro Bandeira

Prestem atenção no que eu digo,
pois eu não falo por mal:
os adultos que me perdoem,
mas ser criança é legal!

Vocês já esqueceram, eu sei.

Por isso eu vou lhes lembrar:
pra que ver por cima do muro,
se é mais gostoso escalar?
Pra que perder tempo engordando,
se é mais gostoso brincar?
Pra que fazer cara tão séria,
se é mais gostoso sonhar?

Se vocês olham pra gente,
é chão que vêem por trás.
Pra nós, atrás de vocês,
há o céu, há muito, muito mais!

Quando julgarem o que eu faço,
olhem seus próprios narizes:
lá no seu tempo de infância,
será que não foram felizes?

Mas se tudo o que fizeram
já fugiu de sua lembrança,
fiquem sabendo o que eu quero:
mais respeito eu sou criança!

Quem é Pedro Bandeira?
 
  Pedro Bandeira nasceu em Santos no ano de 1942, mora em São Paulo desde 1961, onde o autor fez faculdade, foi ator de teatro, editor, jornalista e publicitário, porém desde 1983 passou a ser somente escritor.

Livro “Mais respeito eu sou criança”:
 
  A poesia colocada acima foi retirada do livro “Mais respeito eu sou criança”, a poesia e o livro possuem o mesmo nome devido ao fato de essa poesia ser a chave de criação do livro, pois para o autor “Fazer poesia é tirar retrato da alma”, ele diz no final do livro que escreveu essa poesia e todas as outras que fazem parte do livro, para dizer melhor o que uma criança sente em relação ao que os adultos pensam dela, o autor levanta os seguintes questionamentos, os quais justificam sua motivação para a publicação da obra: “Todo mundo diz que as crianças devem respeitar os adultos. E os adultos? Não devem respeitar as crianças?”. É a partir desses questionamentos que iremos pautar a nossa análise.
 
  Na poesia apresentada, o tema principal em discussão é porque os adultos tratam as crianças como se eles nunca tivessem tido infância e não soubessem o quanto é bom fazer “traquinagens”, “bagunçar” e etc. Primeiramente a poesia faz uma chamada de atenção para que os adultos se recordem de como eles encaravam a vida quando eram crianças, há um questionamento de se eles não eram felizes, se é por isso que tratam as crianças dessa maneira.
 
  Outra interpretação para a poesia é a de o quanto a vida é mais fácil quando se é criança, pois as crianças fazem e falam as coisas muitas vezes sem pensar nas consequências e em alguns casos se tornam mais felizes por esse fato e também o quanto elas são verdadeiras e conseguem expressar o que pensam e o que sentem.
 
  Muitas vezes quando um adulto repreende uma criança não é porque ele não teve infância e não sabe o quanto isso seja bom e sim porque pensa nas consequências ou se preocupa com o bem estar da criança. O sentimento expresso na poesia é realmente o que as crianças pensam sobre os adultos, porém podemos pensar que muitas crianças tem sua infância desrespeitada, por pais ou responsáveis, a partir disso podemos classificar o conteúdo da poesia como polêmico e importante para o sentimento da criança.
 
  Ao final da poesia pede-se que haja mais respeito com as crianças, esse verso pode ser interpretado como um desejo que vai além do eu-lírico, que chega até o autor da poesia, pois ao final do livro no espaço “Recadinho do autor” ele diz: “E toda vez que um assunto é sério mesmo, o jeito é pensar nele através da poesia. Por meio dela, a gente consegue dizer melhor o que sente, o que sonha e o que nos incomoda.”

REFERÊNCIA
 
Bandeira, Pedro. Mais respeito, eu sou criança. 2º Ed. São Paulo: Moderna, 2002.

  O vídeo a seguir é do próprio autor declamando a poesia, é um ótimo vídeo, pois o autor no momento em que está declamando a poesia passa para quem está assistindo como se fosse realmente uma criança dizendo aquelas palavras, ou seja, ele consegue incorporar os sentimentos de uma criança, consegue ali naquele momento encenar como se fosse uma criança.

video


Grupo 3: Poesia Infantil

Um comentário:

  1. Como amo esse autor! Para mim ele será sempre o melhor entre os melhores! :D

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