sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A Casa - Vinícius de Moraes


Era uma casa
muito engraçada                                            
Não tinha teto,
não tinha nada                            
Ninguém podia
entrar nela, não                         
Porque na casa
não tinha chão                           
Ninguém podia
dormir na rede                           
Porque na casa
não tinha parede                        
Ninguém podia
fazer pipi                                   
Porque penico 
não tinha ali                              
Mas era feita
com muito esmero                       
Na rua dos bobos
número zero.                              



Sobre o autor: 

Vinicius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro, foi dramaturgo, poeta, diplomata, jornalista e compositor. Se tornou conhecido por suas músicas: "garota de Ipanema" e o "poetinha". Já na poesia foi eternizado com o poema "soneto de fidelidade":

"Que não seja imortal, posto que é chama  
mas que seja infinito enquanto dure."
 
O poema "A casa" foi adaptado para a música e, desde então, os leitores deixaram de reconhecê-lo como poema e passaram a recordar mais como música. 
 
Esse poema descreve a casa e, ao mesmo tempo, desconstroi sua imagem, dessa forma, o leitor passa a refletir sobre a existência desse referente no mundo. Essa característica imagética é ainda mais acentuada nas possibilidades de interpretação dos versos de 4 sílabas:

1- E - ra u - ma - CA (sa)

2- e - RA U - ma - CA (sa)

1- MUI - to en - gra - ÇA (da)

2- mui - TO EN - gra - ÇA (da)

Essa dupla possibilidade de leitura dos versos mostra uma tensão rítmica relacionada com o sentido: É ou não uma casa? E ainda: "engraçada" é a que faz rir?  

Confira o vídeo que ilustra a poesia:

 

Grupo 3: Poesia Infantil

3 comentários:

  1. Legal o vídeo! Mas atenção: a) o poema é em versos tetrassílabos e com rimas entre os versos pares (2 e 4) de cada quadra - cinco no total. b) Rever redação (acentos, crase, maiúsculas). c) Colocar / após "chama" dividindo os versos citados do "Soneto de fidelidade", de Vinícius. - Até! - prof. Marciano Lopes

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  2. quantoas estrofes tem a poesia??????????????????

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