quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Literatura Infantil e meio ambiente nas tirinhas de Maurício de Souza

Nesta análise, temos como foco tratar sobre o tema meio ambiente. Para tanto utilizamos como material literário as tirinhas de Maurício de Souza, cartunista brasileiro famoso pelos personagens da turma da Mônica e vários outros de tirinhas e histórias em quadrinhos. Entre os personagens, destacamos o índio Papa-Capim e Chico Bento, em cujas histórias o tema meio ambiente tem sido abordado. São tirinhas significativas dentro da temática proposta, voltadas não só para o público infantil, mas também ao juvenil e adulto, lançando luzes sobre a necessidade da preservação ambiental e a relação entre a literatura e o meio ambiente.

Chico Bento é um personagem bastante carismático que representa as pessoas que vivem no campo. Usa chapéu de palha, anda descalço, e adora pescar com seu pai. Logo, percebemos que ele tem um estilo de vida diferente. Uma vida calma e tranquila em oposição à vida agitada das pessoas que vivem nos grandes centros urbanos. Sob este aspecto, já notamos que as tirinhas do Chico Bento são propícias à abordagem da  temática ambiental. No exemplo acima, percebemos na tirinha a humanização das árvores, que demonstram medo e pânico diante da possibilidade de serem cortadas; o que significaria a morte das mesmas (CORDEIRO, 2006).
A tirinha mostra também Chico Bento, que, pelo fato de viver na fazenda, sabe da importância da preservação ambiental. Com isso, fica indignado com a atitude do lenhador, que pode ser comparado a um caçador, o que enfurece o personagem ainda mais.
Outro ponto a ser notado na tirinha é o fato do personagem Chico Bento ser uma criança e o caçador um adulto, aquele que deveria ser a pessoa a dar o exemplo de preservação. 


As tirinhas da turma da Mônica trabalham com questões ambientais por meio da particularidade de cada personagem. E assim como Chico Bento, que é caipira e vive no campo, o personagem de Papa-Capim, por ser um menino índio, também é propício para ser articulado ao tema da preservação ambiental. Como exemplo da atualidade da questão, citamos a destruição do Museu do Índio (responsável por preservar a história cultural desses povos e por contribuir para a preservação e divulgação da memória e da cultura indígena) para a construção do museu do futebol.
Na tirinha acima, o povo indígena é representado como mantendo uma relação estreita e espiritual com a natureza. Nela, podemos ver o personagem Papa-Capim e seu amigo Kava questionarem o valor positivo do que é concebido como “progresso” pelo homem moderno e urbano. Nota-se que o público-alvo não é a criança (e o adulto) indígena, mas a criança (e o adulto) da cultura branca, urbana e “civilizada”, a qual necessita ser reeducada. O leitor, ao observar a tirinha levando em conta só o plano da imagem, já pode estabelecer essa relação de convivência harmônica entre os índios e a natureza. Além da imagem (a presença da lua, da grama, da cobra e da árvore – assim como da falta delas), Maurício de Souza utiliza palavras da língua indígena referentes ao universo natural, assim utilizando a narrativa como forma de ensinar um pouco dela às crianças não indígenas. É o caso dos nomes como Kava (cujo significado é uma planta natural das ilhas do Oceano Pacífico), Papa-Capim (que se trata de uma espécie de pássaro da família Emberizidae), Jaci (significando lua, também considerada mãe dos frutos) e Caraíba (designação dada ao homem branco).
O cartunista, ao brincar com o universo linguístico desses índios que se questionam sobre como as coisas são chamadas pelo homem branco, chega, na última tirinha, a empregar a figura de linguagem ironia, que se trata de uma afirmação contrária daquilo que se quer dizer. No segundo quadrinho, ao se deparar com o desmatamento, Kava pergunta o que significa aquilo. Papa-Capim responde que significa “progresso”, e aí percebemos a ironia presente na tira. Mesma ironia presente na destruição de um Museu Indígena para a construção de um outro dedicado ao futebol...


Referências

CORDEIRO, L. R. Limites e possibilidades das histórias em quadrinhos como mediadora de Educação ambiental. 2006. 53 p. Monografia (especialização) –Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

GOVERNO RIO DESISTE DA DEMOLIÇÃO DO ANTIGO MUSEU DO ÍNDIO. Disponível em: http://noticias.terra.com.br/brasil/cidades/governo-do-rio-desiste-da-demolicao-do-antigo-museu-do-indio.html. Acesso em: 14 set. 2013.

NOMES INDÍGENAS. Disponível em: http://www.significado.origem.nom.br. Acesso em: 14 set. 2013.


GT 4

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