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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Roteiro de estudo para a prova (1º Bim.) - 2012

Caros alunos, seguem algumas questões  que servem como roteiros de estudo para a prova do 1º bimestre. Elas contemplam os seguintes pontos do conteúdo programático:
:
a) História da literatura infantojuvenil no Brasil.
b) Literatura infantojuvenil, educação e ensino (literatura e escola).
c) Literatura e ideologia (literatura e sociedade).
d) Questões etnicorraciais na literatura infantojuvenil (literatura e identidade).
e) Contos de fadas.
f) Autores consagrados da literatura infantojuvenil. (cânon da literatura infantojuvenil)
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Questões para estudo:
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1) História meio ao contrário, de Ana Maria Machado, subverte o gênero literário “conto de fadas” em vários aspectos. Discorra sobre isso levando em conta: a) o discurso do narrador; b) caracterização dos personagens, c) a presença de etapas – segundo V. Propp – que caracterizam a estrutura dos contos de fadas tradicionais (situação introdutória, surgimento de um problema, procura da solução, submissão a uma prova, êxito na prova; punição ao malfeitor e final ditoso).
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2) A literatura infantil de Monteiro Lobato inova o gênero na tradição literária brasileira. Explique isso levando em consideração a temática, a representação da criança e, é claro, a produção literária do gênero no Brasil até o surgimento da literatura infantojuvenil lobatiana.
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3) No conto de fadas “A cinderela” dos irmãos Grimm, encontramos a presença da doutrina cristã disseminada na história em seu nível simbólico de representação. Isto acontece nas constantes repetições que ocorrem na organização da narrativa, assim como nas figuras das pombas e da aveleira. Explique.
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4)  Aponte e explique quatro funções (sociais e psicológicas) do gênero conto de fadas.
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5) Por que a literatura infantil e o gênero conto de fadas artístico, na Alemanha do século XIX e final do século XVIII, encontram-se articuladas ao movimento romântico e à recém criada ciência do folclore?
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6) Questões sobre a história da literatura infanto-juvenil a partir da década de 60 - para respondê-las, vejam vídeo na postagem "Nova literatura infantil brasileira".¨
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a) Na década de 60, tem-se início um movimento pela promoção da literatura infanto-juvenil no Brasil. O primeiro passo foi a criação da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Para sua divulgação e consolidação, a secretária da entidade (Ruth de Sousa) sugere duas ações estratégicas, quais foram elas?
:
b) Quando Nelly Novaes Coelho foi convidada a participar da FNLIJ, ela não tinha interesse na literatura infanto-juvenil. Que fato levou a pesquisadora a mudar sua postura e passar a interessar-se pelo gênero em questão?
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c) Que norma da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação, nos anos 70, abre e consolida um novo nicho no mercado editorial brasileiro, sendo fundamental para a consolidação da nova literatura infanto-juvenil brasileira?
:
7) Na opinião de Daniel Munduruku, a escrita e as novas tecnologias de comunicação são muito importantes para os povos indígenas? Que relação se estabele entre memória e identidade na resposta que ele dá à questão feita? Para responder, veja a postagem Artigo de Daniel Munduruku.
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8) Sobre a polêmica Lobato X Parecer CNE, pergunta-se:
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a) Que argumentos Marisa Lajolo utiliza para defender a obra Caçadas de Pedrinho contra o parecer do CNE?
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b) Que argumento as lideranças do movimento negro utilizam apara defender o parecer do CNE? Para responder, considere os depoimentos dos professores Carlos Alberto e Ana Gomes (ver postagem "Polêmica Lobato/CNE: o ponto de vista dos movimentos de negritude") e do professor Douglas Belchior (ver postagem "Monteiro Lobato & Racismo").
:
c) Qual sua posição perante a polêmica? Fundamente sua resposta utilizando os argumentos apresentados nas questões acima mais argumentos próprios que, porventura, você tenha.
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9) Sobre Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado, responda:
:
a) O narrador utiliza de metalinguagem e dialoga com o leitor?
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b) Quais os personagens da história e como são caracterizados? Considere texto verbal e ilustração.
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c) Como se apresenta o espaço? Considere texto verbal e ilustração.
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d) Com respeito à história e trama, quantas vezes o  coelho pergunta à menina bonita do laço de fita "qual é teu segredo pra ser tão pretinha?" antes de sua mãe explicar que isso se deve "às artes de uma avó preta que ela tinha"? Suas respostas permitem ao coelho ter êxito em sua busca de uma solução para seu problema?
:
e) Qual era o problema que o coelho deveria resolver para ser feliz e por que provas ele passa para alcançar êxito em sua missão?
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f) Considerando as etapas – segundo V. Propp – que caracterizam a estrutura dos contos de fadas tradicionais (situação introdutória, surgimento de um problema, procura da solução, submissão a uma prova, êxito na prova; punição ao malfeitor e final ditoso) e sua análise da narrativa desenvolvida nas questões anteriores, verofique qual ou quais etapas apontadas não existem ou são subvertidas na obra em questão.
:
g) Como o narrador (observe que o ele é intruso e, por conseguinte, não é neutro) caracteriza a prole do coelho e que valores sociais são apresentados como positivos em seu discurso?
:
10) Com base nos resultados da análise de Menina bonita do laço de fita realizada na questão anterior, responda: a obra se apresenta como um exemplo de texto literário infantil sedutor ou utilitário? No caso de ser utilitário, trata-se de um utilitarismo conservador/tradicional - característico da literatura anterior aos anos 70 - ou de um utilitarismo às avessas? Para responder esta questão, considere as discussões de Edmir Perrotti sobre o problema e questão na  obra O texto sedutor na literatura infantil.
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Eis o roteiro de estudos para a prova, agora completo. A questão 9 é um roteiro que apresenta as etapas na realização de uma ANÁLISE de narrativa. É claro que algumas questões são adaptadas ao "corpus" estudado. A última questão (a 10) trata da relação literatura-ideologia. Ela propõe uma discussão sobre a função social do texto e sua ideologia (entendida como um conjunto de valores cognitivos e éticos que orientam uma visão de mundo). Para respondê-la, é necessário uma interpretação com base na análise desenvolvida na questão 9. Em outras palavras: na argumentação deve-se recuperar os resultados relevantes obtidos no trabalho de análise, os quais servirão de argumento. Eis um modelo metodológico de análise que poderá ser usado para a abordagem do problema em outras narrativas infantis. Bom trabalho a todos!

prof. Marciano Lopes

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Análise crítica de "História meio ao contrário", de Ana Maria Machado

prof. Marciano Lopes
 
 
 
 
Contemplando nossas aulas sobre a literatura de Ana Maria Machado, na qual faríamos em classe uma análise e discussão de História meio ao contrário e  Era uma vez um tirano, vejamos nesta aula à distância um roteiro de estudo da primeira história em questão com o objetivo de discutir as relações entre estética e ideologia e mais especificamente o uso instrumental da literatura infantil na educação das crianças. Para tanto, observem: 
 
1) Quanto à linguagem:
 
1.a. Interferência da narradora, que conversa/dialoga com o leitor.
1.b. Uso da ironia e do deboche por parte da narradora.
1.c. Usa de metalinguagem (há uma dimensão metanarrativa em seu discurso).
 
2) Quanto à contrução/caracterização dos personagens:
 
2.a. Uso da sátira e do humor para caracterizar a figura do rei, que é rebaixado.
2.b. Caracterização da princesa segundo valores e comportamentos modernos. Diversamente das princesas tradicionais, ela não se submete à vontade paterna(decidindo escolher seu próprio marido)  e sonha sair de casa, correr mundo e estudar.
2.c. Caracterização do príncipe como aventureiro e hedonista, pois resolve enfrentar o dragão apenas por diversão para combater o tédio da vida de nobre. Desta forma, ele perde grande parte do heroicismo e da nobreza de caráter que deveriam lhe caracterizar.
2.d. Caracterização da camponesa como protagonista e heroína da história, pois é capaz de movimentar seus companheiros (os servos da gleba) na luta pela salvação do "Gigante".
2.e. Descaracterização do dragão comno ente do mal, pois é apresentado como sendo a lua, imensamente bela e responsável pelo surgimento do amor do príncipe pela camponesa assim como pela existência do tempo de repouso destinado aos trabalhadores.
2.f. Caracterização do gigante como dócil e preguiçoso, aliás, este é também - e principalmente - uma alegoria da natureza e da nação brasileiras. Veja-se a referência ao hino nacional em sua caracterização.
 
3) Quanto à estrutura:
 
Inicialmente, é importante considerar que os contos de fadas, assim como as histórias infantis, populares e a literatura trivial (ideológica), seguem uma estrutura narrativa simples, que pode assim ser sintetizada: a) surgimento de um problema que abala a situação de felicidade inicial; b) aparecimento de um herói que deverá enfrentar obstáculos/provações para resolver o problema; c) resolução do problema com retorno à situação de equilíbrio. Com base nos estudos de V. Propp sobre a estrutura do conto popular, Karin Volobuef (1993) aponta as seguintes unidades - ou etapas - na estrutura das histórias do gênero:
 
a) situação introdutória;
b) surgimento de um problema;
c) procura por uma solução - o herói sai em viagem com o propósito de cumprir a tarefa  que lhe foi imposta (resgatar a princesa, buscar algum objeto mágico etc.);
d) submissão a uma ou mais provas em que o herói tem suas qualidades testadas;
e) êxito na(s) prova(s) - o que implica na punição do malfeitor;
f) final ditoso (ou seja, feliz), em que a protagonista casa-se com o príncipe ou enriquece.
 
Em História meio ao contrário, a alínea "e" é subvertida, pois o príncipe (que deveria exercer a função de herói) não obtém êxito em suas provas e, por conseguinte, não mata o "dragão". Isso se deve ao fato de que a personagem feminina deixa de ser submissa e torna-se heroína - o que não é novo e nem tão subversivo, pois em muitos contos de fadas as personagens femininas são protagonistas ativas, como acontece na versão de Cinderela dos irmãos Grimm, ou em "A inteligente filha do camponês", também deles (e lida em classe dia 10 de setembro).
 
Por fim, a alínea "f" também é subvertida, pois apesar de termos um final ditoso, este rompe com o fim tradicional, em que a heroína, pobre e pertencente ao povo, sobe na estrutura social ao casar-se com o príncipe. Neste caso, ocorre o contrário: ele desce na estrutura, pois se torna camponês, abandonando sua vida de "dulce far niente", hedonista e aventureira.
 
4) Quanto à ideologia:
 
4.a. Incorporação do discurso feminista através das atitudes da protagonista e da princesa, conforme observado ao tratarmos dos personagens.
4.b. Incorporação do discurso ambientalista através dos personagens do dragão e do gigante, que representam a natureza - a qual deve ser preservada ao invés de destruída (o que cabia ao príncipe fazer).
4.c. Incorporação da práxis sindicalista e da luta revolucionária, o que está presente simbolicamente na paralisação (greve) que os camponeses fazem de suas atividades produtivas para irem ao encontro do gigante.
4.d. Suavização da assimetria autor-leitor na medida em que a narradora dialoga com  o leitor criança e o incentiva à reflexão crítica sobre o fazer literário através da metalinguagem (da metanarrativa).
 
Conclusão
 
Pelas características inovadoras e por vezes subversivas apontadas, podemos afirmar que a história de Ana Maria Machado atualiza o gênero e o coloca a serviço de ideias e posições políticas não conservadoras e dominantes no cenário político, que era marcado pela ditadura iniciada em 1964. Entretanto, não é possível afirmarmos que não existe uma dimensão instrumental no texto, ou seja, que ele não esteja à serviço de determinados interesses políticos e ideológicos e que, para isso, não apresente finalidades educativas. Assim como na literatura anterior à produção lobatiana, também encontramos fins extrínsecos ao mero prazer da leitura e o uso da literatura infantil como instrumento de doutrinação, ainda que esta seja feita de modo mais sutil e atraente do que na literatura feita até o boom da nova literatura infantil dos anos 70. Isto aponta para a hipótese de que as instâncias canonizadoras do texto infantil brasileiro estão comprometidas com tais valores políticos, para tanto, vide o prêmio Jabuti recebido pela obra:
 
1994 - Lista Melhores do Ano, Fundalectura, Bogotá
1978 - Prêmio Jabuti, Câmara Brasileira do Livro
1977 - João de Barro, Pref. Municipal de Belo Horizonte
 
 
Referência:
 
BOLOBUEF, Karin. Um estudo do conto de fadas. Revista de Letras. São Paulo: Unesp, v. 33, p. 99-114, 1993.
 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Revista virtual de poesia infantil

O gênero poesia infantil possui muitas especificidades, no entanto, não é muito comum encontrarmos sites ou livros que abordam toda a complexidade da poesia infantil. É por esse motivo que se destaca o site Revista Tigre Albino, pois traz diversas postagens e entrevistas que abordam desde o que seja poesia, autores e a análises de poesias. É uma revista virtual que pode auxiliar desde alunos do ensino básico à alunos da graduação. Um dos artigos que se destacam nesta revista   é  Poesia e sensibilidade infantil de Maria da Glória Bordini.
Dentre os editores do site encontra-se o escritor Sérgio Capparelli, que escreveu diversas obras infantis e também é o autor do site Ciber & Poemas, que traz muitos exemplos de poesias visuais.
O "Tigre Albino" é um site de grande credibilidade, pois possui um conselho editorial reconhecido no meio literário e acadêmico: Blanca Roig da USC e da LIJMI, Espanha; Ezequiel Theodoro da Silva, da UNICAMP e da ALB, Brasil; Isabel Mocino Gonzales, da USC e da LIJMI, Espanha; Laura Sandroni, da FNLIJ, Brasil; Maria Antonieta Cunha, da PUC-MG, Brasil; Marisa Lajolo, da UNICAMP e MACKENZIE, Brasil; Silvia Castrillon, da Asolectura, Colômbia; Virgilio López Lemus, do ILL, FAyLUH e AC e ACC, de Cuba.


Grupo 3: Poesia Infantil

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Roteiros de estudo

Caros alunos, seguem algumas questões a serem respondidas que servem como roteiros de estudos para a prova contemplando os seguintes pontos:

a) História da literatura infantojuvenil no Brasil.
b) Literatura infantojuvenil, educação e ensino (literatura e escola).
c) Questões etnicorraciais na literatura infantojuvenil (literatura e identidade).
d) Poesia infantil: características.
e) Contos de fadas.
 
Questões para estudo:
1) Sobre a polêmica Lobato X Parecer CNE:

a) Que argumentos Marisa Lajolo utiliza para defender a obra Caçadas de Pedrinho contra o parecer do CNE?
:
b) Que argumento as lideranças do movimento negro utilizam apara defender o parecer do CNE? Para responder, considere os depoimentos dos professores Carlos Alberto e Ana Gomes (ver postagem "Polêmica Lobato/CNE: o ponto de vista dos movimentos de negritude") e do professor Douglas Belchior (ver postagem "Monteiro Lobato & Racismo").
:
c) Qual sua posição perante a polêmica? Fundamente sua resposta utilizando os argumentos apresentados nas questões acima mais argumentos próprios que, porventura, você tenha.

2) Questões sobre a história da literatura infanto-juvenil a partir da década de 60 - para respondê-las, vejam vídeo na postagem "Nova literatura infantil brasileira".

a) Na década de 60, tem-se início um movimento pela promoção da literatura infanto-juvenil no Brasil. O primeiro passo foi a criação da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Para sua divulgação e consolidação, a secretária da entidade (Ruth de Sousa) sugere duas ações estratégicas, quais foram elas?

b) Quando Nelly Novaes coelho foi convidada a participar da FNLIJ, ela não tinha interesse na literatura infanto-juvenil. Que fato levou a pesquisadora a mudar sua postura e passar a interessar-se pelo gênero em questão?

c) Que norma da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação, nos anos 70,  abre e consolida um novo nicho no mercado editorial brasileiro, sendo fundamental para a consolidação da nova literatura infanto-juvenil brasileira?

3) Na opinião de Daniel Munduruku, a escrita e as novas tecnologias de comunicação são muito importantes para os povos indígenas? Que relação se estabele entre memória e identidade na resposta que ele dá à questão feita? Para responder, veja a postagem Artigo de Daniel Munduruku.
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4) A releitura da história de Chapeuzinho Vermelho nos filmes A companhia dos lobos (1984), dirigido por Neil Jordan, e A garota da capa vermelha, dirigido por Catherine Hardwicke, direciona a história para outro gênero diverso do "conto de fadas". Qual? Explique. (Para responder, vejam as postagens do GT4 - Contos de Fadas na atualidade)

5) Que elementos estruturais há em comum entre os poemas "Trem de ferro", de Manuel Bandeira, "Brincando com as palavras", de José Paulo Paes, "A bailarina", de Cecília Meireles, "Meus oito anos", de Casemiro de Abreu, e "A casa", de Vinícius de Moraes, que os tornam atrativos ao público infantil? Responda com exemplos retirados dos poemas postados pelo GT3 - Poesia Infantil.

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6) Na postagem Poesia Infanto-Juvenil Virtual há 4 poemas. Entre eles encontramos poemas concretos e caligramas. Identifique-os e explique apontando as características que os definem como tais.

Bom entretenimento! Ah! não esqueçam do estudo sobre poemas do Bilac.



Prof. Marciano Lopes

domingo, 4 de setembro de 2011

Dois Poemas de Bilac para estudo

A BONECA

Deixando a bola e a peteca
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.

Dizia a primeira: "É minha!"
— "É minha!" a outra gritava;
E nenhuma se continha,
Nem a boneca largava.

Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.

Tanto puxaram por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.

E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando à bola e à peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca...


A BORBOLETA

Trazendo uma borboleta,
Volta Alfredo para casa.
Como é linda! É toda preta,
Com listas douradas na asa.

Tonta, nas mãos da criança,
Batendo as asas, num susto,
Quer fugir, porfia, cansa,
E treme, e respira a custo.

Contente, o menino grita:
“É a primeira que apanho,
“Mamãe vê como é bonita!
“Que cores e que tamanho!

“Como voava no mato!
"Vou sem demora pregá-la
“Por baixo do meu retrato,
“Numa parede da sala”.

Mas a mamãe, com carinho,
Lhe diz: “Que mal te fazia,
"Meu filho, esse animalzinho,
“Que livre e alegre vivia?"

“Solta essa pobre coitada!
“Larga-lhe as asas, Alfredo!
“Vê como treme assustada…
“Vê como treme de medo…

“Para sem pena espetá-la
“Numa parede, menino,
“É necessário matá-la:
“Queres ser um assassino?”

Pensa Alfredo… E, de repente,
Solta a borboleta… E ela
Abre as asas livremente,
E foge pela janela.

“Assim, meu filho! Perdeste
“A borboleta dourada,
“Porém na estima cresceste
“De tua mãe adorada…

“Que cada um cumpra a sorte
“Das mãos de Deus recebida:
“Pois só pode dar a Morte
“Aquele que dá a Vida.”


Reflexão

Considerando os poemas acima, reflita sobre a poesia infantil de Olavo Bilac quanto aos seguintes aspectos:

a) Há preocupação com a forma estética dos poemas?
b) Quais os temas tratados?
c) Como se apresenta a relação entre emissor e destinatário do discurso?
d) Com base nas respostas anteriores, segundo Perrotti*, explique se predomina, nos poemas analisados, o discurso estético, instrumental ou utilitário?

_____________
*PERROTTI, E. O texto sedutor na literatura infantil. São Paulo: Ícone. 1986.

Prof. Marciano Lopes