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domingo, 22 de setembro de 2013

Irmãos Grimm: excelência e pioneirismo

Nascidos em Hanau, Jacob Grimm em 1785 e Wilhelm Grimm em 1786, os irmãos Grimm são “contadores de histórias”. Sua obra  (escreveram mais de uma centena de contos) são reconhecidos no mundo pela excelência de  escrita e pela importância da pesquisa folclórica, que resgatou inúmeras histórias da cultura popular.
 
De infância boa, os irmãos Grimm não passaram necessidades, apesar de terem perdido o pai quando ainda tinham onze anos de idade. E como o pai, estudaram direito, mas não seguiram carreira, pois largaram a faculdade para se dedicaram a literatura.
 
Como sabiam que os primeiros povos transmitiam suas histórias oralmente, resolveram escrevê-las. Registrar fazia parte da ideia inicial deles, assim se preservava a cultura do povo alemão. Além de redigir contos pulares e mitos antigos, o que trouxe um campo de investigação desconhecido para a época, escreveram várias obras, e marcaram história, até DICIONÁRIO ALEMÃO eles escreveram. Acreditavam que com este trabalho não somente valorizavam  a cultura do seu povo, mas também contribuíam decisivamente para a construção de uma cultura e identidade nacionais necessárias à consolidação da jovem nação alemã, que estava surgindo da união de diferentes etnias e Estados. Mitologia e Gramática também estão em suas obras e concorrem igualmente para o projeto nacionalista de consolidação do novo Estado alemão. Sobre a obras deles e o projeto político que a orienta, leia-se o artigo Os irmãos Grimm, entre romantismo, historicismo e folclorística, de Sérgio da Mata (UFOP) e Giuelle Vieira da Mata (UFMG).

 

Em 1812, os primeiros contos dos Grimm foram publicados levando o nome de “Histórias das Crianças e do Lar”, totalizando 51 histórias. Daí por diante ficaram mais famosos esses contos, e sua popularidade cresceu, no mundo todo. Inclusive tiveram várias outras versões baseadas nessas primeiras histórias de Jacob e Wilhelm Grimm, que tinham como característica, uma linguagem de fácil entendimento.

A princípio essas histórias coletadas não eram infantis e nem foram coletadas com o objetivo de serem direcionadas às crianças como literatura infantil, mas ao fazê-lo, os irmãos as adaptaram para uma narrativa mais suave, simples e com uma linguagem fácil, afinal crianças ouviriam essas histórias.

As histórias relatadas, que eram passadas de geração em geração, e coletadas pelos irmãos Grimm, tinham propósito de entreter adultos, e alguns dos seus finais eram trágicos, o que não poderia se adequava ao público infantil.
fontes virtuais:
 
GT 2

domingo, 9 de setembro de 2012

Chapezinho Vermelho x Chapeuzinho Amarelo: medo do Lobo, medo bobo.

    Os contos de fadas folclóricos - que eram orais -  foram adaptados com o passar do tempo à classe emergente, a burguesia, sendo depurados de seus elementos inadequados às educação infantil, uma vez que, originalmente, não eram voltados à infância, apresentando por vezes dose elevada de violência e ou erotismo.

   Por terem o objetivo de educar as crianças, os contos de fadas artísticos (às vezes chamados de tradicionais), tiveram uma função utilitáriaapresentando um discurso identificável com os interesses pedagógicos e familiares. Geralmente, os maus acabam punidos e os bons recompensados, porém, há as histórias em que os bons acabam morrendo de maneira violenta. Estes são os contos de susto ou admoestação, feitos com o objetivo de alertar sobre um perigo ou impedir certas ações. Dentre essas histórias, está a história de Chapeuzinho Vermelho.
 
  As versões mais conhecidas de Chapeuzinho Vermelho são as de Perrault e dos irmãos Grimm, apresentando, ambas, um forte caráter educativo., pois a ação narrada exemplifica os terríveis males que podem acontecer a uma criança desobediente, servindo, portanto,  de admoestação. Para tanto, utiliza uma pedagogia do medo, o que não contribui ao desenvolvimento de um caráter autônomo e autoconfiante. A narração é pautada pela relação de poder e saber do adulto sobre a criança representada como ingênua e ignorante. No entanto, na famosa versão de Chico Buarque – intitulada Chapeuzinho Amarelo – há um rompimento com esta atitude. Não se abandona a função utilitária do texto infantil, mas se muda o foco da mesma, que deixa de ser autoritária, de admoestação, e passa a apresentar-se como libertária na medida em que valoriza a reflexão, a autocrítica e a autonomia da criança.


       
Ao invés do medo, Chico Buarque  utiliza o o humor como recurso pedagógico e literário de tal modo que, na sua versão paródica de Chapeuzinho vermelho, se  desestabilizam completamente os sentidos da versão tradicional. O  discurso libertário - ou emancipador - substitui o autoritário; a imagem do medo cede lugar ao não-medo, pois, através do riso, o Lobo se transforma de amedrontador em amedrontado e a menina de Chapeuzinho com medo (por isso sua cor amarela) em Chapeuzinho sem medo. O Lobo tenta amedrontar a menina, porém,não há sucesso em sua empreitada; desanimado acaba virando um bolo.
 
Outro aspecto inovador, característico da literatura infantil brasileira após 1970, é o fato de a narrativa brincar com as palavras, o que evidencia uma valorização da linguagem e, por conseguinte, do estético.   A valorização da estrutura lúdica  ocorre especialmente no resultado da repetição insistente da palavra "lobo", que acaba resultando - por uma inversão da ordem das sílabas que a compõem - na palavra "bolo". Imagem que simbolicamente representa a mudança de status do lobo: de  o predador virou presa, pois deixou de ser aquele que pode comer para se transformar no que pode ser comido.
 
  Por fim, é muito importante observar que não há na história a presença da mãe, de maneira que não há desobediência por parte da menina e, consequentemente, castigo. A menina percebe que seus medos são construídos por ela mesma e que somente existem até o momento em que são enfrentados.



 

     A história Chapeuzinho amarelo feita por Chico Buarque propõe uma mudança no comportamento socialmente desejado para a criança. Poderíamos afirmar que sua paródia às versões tradicionais constitui uma adaptação à atualidade na medida em que incorpora uma nova identidade infantil assim como uma nova postura educacional.
 
     As diferenças analisadas nas duas versões marcam a diferença de sentido que adquire, assim como, a diferença de objetivo que se deseja alcançar, daí a importância da apresentação de ambas as histórias à criança para que possa perceber a diferença entre elas e, desta forma, desenvolver seu pensamento critico.
:
     Confira a seguir comparando as histórias mencionadas, e boa reflexão!

     E não deixe de assistir ao vídeo de Chapeuzinho amarelo, do grande Chico Buarque:

 

Referências:
 
Chapeuzinho Vermelho  - versão de Charles Perrault:

GT 1 - Contos de fadas e narrativas orais (mitos e lendas)