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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A leveza e a comicidade de O fantástico mistério de Feiurinha







O fantástico mistério de Feiurinha é uma peça infantojuvenil escrita por Pedro Bandeira publicada em 1986. No mesmo ano, ganhou o prêmio Jabuti de melhor livro infantil.
 
Feiurinha é uma menina extremamente linda que foi criada por três bruxas (chamadas Ruim, Malvada e Pior Ainda) junto com Belezinha, a afilhada das bruxas. Feiurinha se acha realmente feia porque não sabe o que é o belo e porque acredita no que as bruxas lhe dizem. Junto de Feiurinha havia sempre um bode, que vinha a ser um príncipe que estava enfeitiçado; quando o feitiço se quebrou, Feiurinha se descobriu princesa, bela e amada por seu príncipe.
 
A história apresenta um aspecto inovador no tocante ao modo como inicia, pois a frase de abertura é a expressão cristalizada dos finais dos contos de fada tradicionais “e eles viveram felizes para sempre”. Feito esse preâmbulo, mostra como está a vida das princesas dos contos de fadas após o final ditoso das narrativas conhecidas. Branca de Neve, Cinderela, Bela Adormecida, Rapunzel e a Bela (da fera) estão todas casadas com seus príncipes encantados (agora são todas chamadas pelo sobrenome do marido: Branca Encantado, Cinderela Encantado...e por aí vai), grávidas e à véspera de comemorar as Bodas de Prata com seus maridos. A única que não se casou foi a Chapeuzinho Vermelho, que continuou solteirona e meio amarga com a vida por não ter conseguido um marido.
 
Chapéu (como agora é chamada) alarma as amigas sobre o desaparecimento de Feiurinha. Todas se reúnem no castelo de Dona Branca Encantado para procurar a solução para esse mistério.  As princesas descobrem que Feiurinha desapareceu porque sua história não foi escrita e decidem procurar um escritor. Por sorte do destino, a empregada do escritor conhece a história de Feirurinha e conta essa história para as princesas e para o escritor que registra a história em um livro.
 
Além da inovação no modo de abrir a narrativa, podemos encontrar em “O fantástico mistério de Feiurinha” mais dos aspectos que em que se verifica uma mudança crítica da estrutura canônica dos contos de fadas tradicionais: o conceito de beleza e a representação das princesas. Em Feiurinha o conceito de beleza foi invertido até certo ponto, pois feiurinha, apesar de sua beleza incomparável, sempre procura por “defeitos” (verrugas, manchas, etc.) em seu corpo, mas nunca os encontra e se acha muito feia porque não se parece com as bruxas que a criaram e com as quais vive.
 
Com respeito à inovação na representação das princesas, podemos observar que elas não são apresentadas como nos contos tradicionais, pois ao invés de seerem jovens e belas, elas estão todas casadas, grávidas (exceto Chapéu) e já são senhoras com cabelos brancos. Branca Encantado é um pouco burrinha (tem dificuldades para entender o que Chapéu lhe fala), Chapéu é gorduchinha e um pouco amarga com a vida, Bela (adormecida) só dorme e ronca, Rapunzel reclama que está com dor de cabeça porque seu marido está gordinho e insiste em subir pelas suas tranças, Cinderela tem calos nos pés devido ao sapato de cristal... todas as princesas tem defeitos! Estão mais velhas! São mulheres “de verdade”!
 
Conforme se vê, a peça apresenta uma intertextualidade com os contos de fadas mais conhecidos do público infantil. Entretanto, Pedro Bandeira humaniza, de forma leve e engraçada, as princesas ao mesmo tempo em que satiriza a ideia simplória de que o casamento deve é a realização mais importante na vida das pessoas, pois demonstra que ele não é a garantia de uma vida  perfeitamente feliz, sem problemas e tristezas.

 

Referências:
 

http://www.pedrobandeira.com.br/conheca-o-pedro/historia.aspx



GT 4: Teatro e música infantojuvenis

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Aventuras e mistérios com "Os Karas", de Pedro Bandeira.




Quantas vezes ouvimos adolescentes dizerem que não gostam de ler? Muitos destes que afirmam isso talvez estejam embasados apenas em livros que os professores pedem pra ler  em sala de aula, para provas e trabalhos. Muitos de literatura clássica, com linguagens e temas nada adequados aos jovens de hoje em dia.

Essa ainda é a realidade de muitos adolescentes, porém, há aqueles ainda que  estão cada vez mais criando o gosto pela leitura após a leitura de diversos best sellers sobre seres mitológicos, sobre bruxos,  lobisomens, entre tantos outros tipos de ficção que contribuíram para um avanço do gosto pela leitura entre os jovens. 

A proposta desse post é apresentar literatura juvenil de um dos melhores autores brasileiros desse gênero: Pedro Bandeira. 

Pedro Bandeira é um escritor de muitos gêneros. Uma produção de quase cem títulos,  aproximadamente vinte e dois milhões de livros vendidos e vários prêmios literários. Pedro Bandeira é múltiplo e consagrado.

A agilidade da linguagem narrativa, a inventividade com que produz suspense, a admirável capacidade de despertar sensações e sentimentos, responsáveis pela sincera identificação com seus leitores, talvez sejam alguns ingredientes para esse enorme sucesso. 

Como já dissemos, Pedro Bandeira escreveu muitos livros. Dentre eles, alguns bem conhecidos, tanto em literatura infantil, quanto juvenil. A Marca de Uma Lágrima; Agora Estou Sozinha; O Fantástico Mistério de Feiurinha; Mais Respeito, Eu Sou Criança!; As Cores de Laurinha - entre tantos outros.

 

Hoje, falaremos mais especificamente sobre uma série de livros que contém temas diversos: aventura, mortes, sequestros, paixões, investigações policiais, entre muitos outros assuntos que os adolescentes irão adorar, e ainda com pessoas reais, jovens também. 

Quem já ouviu falar dos Karas? Cinco nomes: Magrí, Miguel, Chumbinho, Calú e Crânio.  Cinco livros:  Droga da Obediência, Pântano de Sangue, Anjo da Morte, A Droga de Amor e Droga de Americana




Os Karas formam um grupo secreto de adolescentes que se reúnem para desvendar alguns crimes que acontecem na cidade em que eles moram. Cada personagem é um ponto muito importante dentro do grupo. Cada um com suas características diferentes, acabam  se complementando:

Miguel: é quem decidiu, por brincadeira, a princípio, formar o grupo secreto no Colégio Elite, onde é presidente do Grêmio Estudantil. É também líder do grupo. Tem as principais decisões do grupo e lidera os próximos passos de cada um dos membros.

Crânio: como o apelido já sugere, é o gênio dos Karas. É calado e pensativo, especialista em decrifrar os mistérios e códigos.

Calú: é um ator profissional, portanto, ele é responsável pelos disfarces necessários a cada situação. É extrovertido e brincalhão, sempre anima a turma.

Magrí: a única menina do grupo é ginasta olímpica. Ela acrescenta as qualidades da sensibilidade e delicadeza ao grupo, mas sem cair no estereótipo da "donzela em apuros", pois não deixa de se apresentar como muito corajosa, sempre para enfrentar qualquer perigo e dificuldade.

Chumbinho: é aficcionado por aventuras, video-game e computadores. Descobriu o grupo secreto e obrigou seus membros a aceitarem a sua participação. Porém, provou ser um verdadeiro Kara, disposto a tudo pela turma. 

Detetive Andrade: não é um Kara. É um detetive da cidade que, sendo super preocupado com os jovens, se tornou um paizão para a turma, sempre os ajudando, mesmo sem saber que formam um grupo secreto (ele acredita que o grupo apenas se mete em confusões).

Os livros dessa série são de linguagem bem simples e rápida, cheia de fôlego para acompanhar o ritmo das aventuras. O livro é repleto de códigos secretos que tornam ainda mais divertida a leitura. Utilizam o conhecido código morse, e outros que eles mesmo criam para se comunicarem. O clima de suspense e mistério permanece até o fim, sempre com um final surpreendente.

Há um site muito interessante criado para os fãs das obras. Nele, encontra-se tudo que diz respeito a essas ficções criadas por Pedro Bandeira: os personagens, as aventuras, os códigos, os vilões que os karas enfrentam e ainda muitas entrevistas com o autor, fotos e muito mais! Vale a pena conferir. Há também nesse site, um breve resumo de cada obra, que vale a pena mostrar, para que todos possam saber um pouco mais sobre essas tão faladas aventuras:






Para finalizar, há ainda um novidade! Pedro Bandeira diz em entrevista que está escrevendo uma nova aventura dos Karas! Agora, saberemos sobre suas vidas depois de adultos. Para saber mais sobre o novo livro, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/1079804-pedro-bandeira-prepara-livro-com-os-karas-agora-adultos.shtml 


Para saber um pouco mais sobre o autor, confiram site:

GT2: Autores Consagrados


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O mundo horroroso X O mundo maravilhoso


Fonte http://www.modernaliteratura.com.br
O livro de Pedro Bandeira e Carlos Edgard Herrero, intitulado  “O pequeno lobisomem” conta uma história muito interessante e curiosa, que nos leva a refletir sobre o sentimento que a criança possui ao perceber que é diferente, de algum modo, das outras crianças (e adultos). Analisando o texto é possível afirmar que ele possui um cunho pedagógico, pois tem a intenção de ensinar a seus leitores que mesmo se “você” for diferente daquilo que esperam que seja, encontrará alguém que estará disposto a estar junto de “você”, e, principalmente, alguém que precisa da sua companhia, tanto quanto “você” precisaria da companhia desse alguém.

A narrativa por sua vez conta a seguinte história:

Existe uma família de lobos (“no país da imaginação horrorosa só para assustar as crianças”) que viviam em uma floresta escura e medonha uivavam de forma medonha. Até que nasce um novo “Lobisbebê” que não tinha a carinha “tão feia e peluda como devia ser (...) e gostava de tomar leite na mamadeira, e não suco de pimenta bem ardida como todos os Lobisbebês”. Certo dia ele sai de casa, sem seus irmãos e sem seus pais, o “Lobisomem” e a “Lobismulher”, e se depara com um mundo muito diferente daquele que conhecia, com jardins muito floridos, um sol radiante, pássaros e crianças felizes brincando com cachorrinhos e ele percebeu que não queria ser como sua família que vivia para aterrorizar as crianças, mas que queria brincar com elas. Decidiu assim ir até eles, mas todos saíram correndo com muito medo e ele ficou por ali, sozinho, muito triste, até que viu uma menininha triste como ele e chorando por falta de seu cachorrinho que a tinha deixado. O “Lobisbebê” se aproxima com medo de que ela fosse fugir dele também, mas a garotinha o recebe com a maior alegria do mundo e eles acabam por se completar. Ele passa a habitar o país da imaginação maravilhosa e torna-se seu animalzinho de estimação, e ela volta a ser muito feliz por ter um novo bicho que gostava dela e estava ao seu lado.

A obra possui também a intenção de mostrar à criança que se pode ser diferente daquilo que ela acredita ser o modelo “ideal” para a sociedade, por exemplo; as crianças que se sentem excluídas por alguma deficiência, ou por serem alvos de bullying, podem ser incentivadas com esse livro com a ideia de que também podem superar suas dificuldades a partir do momento em que enfrentar os obstáculos encontrados. Na história, o “Lobisbebê” ao perceber que não irá viver de uma forma que o agrada (assustando as crianças, uivando para a lua para amedrontar a todos, em uma casa caindo aos pedaços e em uma floresta muito escura e medonha) tem a curiosidade de ir até um lugar onde até então não podia ir.

Ao ver o outro lado do mundo da imaginação horrorosa, ele percebe que não quer viver como sua família e enfrenta com sucesso a apreensão de ser reprimido por seus pais, por ter encontrado alguém tão aflito quanto ele: a garotinha que o “adota” para que ele possa viver no mundo da imaginação maravilhosa.
Fonte: www.acidadevotuporanga.com.br
O personagem “Lobisbebê” ao se deparar com as crianças se sente excluído, rejeitado, diferente, pois todas as crianças e animais saem correndo apavorados de medo, esse momento do texto pode fazer com que a criança que já sofreu algum tipo de bullying se identifique, quando esteve perto de outras crianças que a rejeitaram, a olharam de modo diferente, ou que a excluíram de alguma brincadeira.

No final do texto quando finalmente o personagem consegue se integrar ao mundo com que sempre sonhou e enfim fazer amizades e brincar com todos, ele deixa de se sentir “mal-amado”, e mostra para a criança leitora que é possível ser aceito, mesmo quando é diferente, a partir do momento em que se perde a vergonha de ir atrás daquilo que é desejado. O segredo é aceitar a si próprio, e saber que é diferente dos outros, mas que pode viver sendo feliz da mesma forma que eles.


Fonte: http://blogs.jovempan.uol.com.br
O livro incentiva, ainda, a adoção de animais mostrando à criança que ter um animalzinho de estimação pode trazer ainda mais alegria para ela e também para o bicho; “Lobisbebê tinha encontrado o país da imaginação maravilhosa, porque agora ele vive junto de uma criança como você!”  





A história de Herrero e Bandeira possui um misto entre fábula e parábola, pois, apesar de não falarem, há personagens animais, uma vez que o narrador atribui características humanas aos lobisomens da narrativa, ao contar que “Ele é casado com a Lobismulher e já tem uma Lobismenina” (p.09), “A Dona Lobismulher estava de barriga grande e vivia fazendo tricô para o novo bebê que ia nascer” (p.10), “como era muito esperto, conseguiu sair do berço e foi engatinhando para o jardim” (p.15). Há também personagens humanas, as crianças. O Lobisbebê e a garotinha são os protagonistas e a partir da narração dos autores se tornam personagens com uma densidade psicológica acessível às crianças, sendo que a linguagem utilizada é simplificada para que haja uma maior inteligibilidade do público infantil para o qual a obra é voltada.

A obra possui princípio (a apresentação da família do lobisomem e do mundo horroroso) meio (a descoberta de um novo mundo pelo integrante dessa família, o Lobisbebê, e o conflito causado através da entrada do personagem no mundo maravilhoso), e fim (o encontro do Lobisbebê com a garotinha triste e a reconciliação entre as crianças e o lobinho, e, assim, a sua permanência no mundo desejado por ele).

Há no texto dois espaços físicos em que ocorrem os acontecimentos, o mundo da imaginação horrorosa, local habitado pelos lobisomens, e o mundo da imaginação maravilhosa, habitada pelas crianças que são assustadas por esses lobisomens do outro mundo (literalmente). A história é decorrida em um breve espaço de tempo, poderia se dizer que um ou dois dias, que foi o suficiente para todo o desenrolar da narrativa. O narrador é heterodiegético, pois há uma entidade exterior à história, isto é, há um narrador que possui somente a função de contar os acontecimentos.

O texto possui uma tentativa de redução da assimetria, pois o narrador tenta se aproximar da criança leitora através de uma escrita simplificada e também por se dirigir dialogicamente a ele, o que pode ser verificado no uso dos pronomes utilizados, por exemplo: “Como todo mundo, o Lobisomem tem uma família. Mas não é uma família como a sua” (p.08), “Você já adivinhou que os tais bichos eram cachorros, não é?” (p.24), e ainda, “Lobisbebê tinha encontrado o país da imaginação maravilhosa! Porque agora ele vive junto de uma criança como você!” (p.46). A redução da assimetria, no entanto, teria um resultado mais satisfatório se os narradores da história fossem a garotinha ou o Lobisbebê, cada qual contado a partir de seu ponto de vista, pois não haveria a preocupação da parte deles de passar à criança lição alguma, a redução seria mantida na medida em que o autor deixa de ser um adulto falando para uma criança e passaria a ser uma criança falando para outra.

Referências:
 
BANDEIRA, Pedro; HERRERO, Carlos Edgard. O pequeno lobisomem. São Paulo: Moderna, 2009.

http://www.acidadevotuporanga.com.br - Acessado em 19 de Novembro de 2012 às 20h30

http://www.overmundo.com.br - Acessado em 19 de novembro de 2012 às 20h40

http://blogs.jovempan.uol.com.br - Acessado em 19 de novembro de 2012 às 20h45

http://www.modernaliteratura.com.br - Acessado em 19 de novembro de 2012 às 20h50

GT3: Literatura e ideologia