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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A intertextualidade e a defesa do meio ambiente na obra “Procura-se lobo” de Ana Maria Machado

Há séculos amedrontando crianças e adultos de todo o mundo, o lobo tornou-se o símbolo da maldade. Orgulhoso de sua fama de mau possui  inúmeras  aparições em contos da tradição oral, histórias infantis, músicas, filmes, desenhos animados, enfim, um clássico vilão digno de assustar o mais corajoso dos heróis.
Com sólida tradição, no entanto, não conseguiu livrar-se nem passar despercebido dos requintados procedimentos pós-modernos de desconstrução e atualização dos personagens. Enganado, preso, humilhado e até mesmo convertido em lobo bom, o ouvinte-leitor-espectador contemporâneo acompanha essas mudanças na alcateia globalizada que se tornou o mundo dos lobos. O melhor retrato desses novos tempos pode ser encontrado no livro “Procura-se Lobo” de Ana Maria Machado. 


              Para entender a história...

Ana Maria Machado saiu “à caça de lobos”. O resultado é  um de seus mais recentes livros, "Procura-se Lobo", da editora  Ática. Os personagens são lobos inventados, lobos famosos e  lobos de verdade. E uma pessoa com nome de lobo.
Tudo começa quando Manoel Lobo vê um anúncio no jornal que diz "Procura-se Lobo". Ele decide tentar a vaga, mas descobre que querem lobos de verdade, para um documentário. Mesmo assim, Manoel é contratado para ajudar a ler e responder as cartas dos candidatos.

O problema é que nenhum lobo de verdade responde ao anúncio. Só chegam cartas do Lobo Mau, do Lobo da Chapeuzinho Vermelho, do Lobo da Chapeuzinho Amarelo, do Lobisomem, da Loba da lenda da fundação de Roma, do Lobo que criou o menino Mogli, e assim por diante. Os lobos de verdade simplesmente não se candidatam.
Então Manoel Lobo decide mudar o anúncio, deixando mais claro que precisavam de lobos de verdade, porque queriam mostrar ao mundo como eram estes animais, como viviam, o que faziam, qual seu ambiente, os riscos que correm. Tudo para salvar os lobos da extinção e de sua fama injustiçada de maldosos.
"Procura-se Lobo" tem ilustrações muito legais, que misturam fotos e desenhos, feitas por Laurent Cardon. E o livro é todo repleto de informação: nas contracapas, você encontra um resumo das mais famosas histórias de lobo de todos os lugares e épocas.
No fim, há uma descrição das espécies de lobo que existem no mundo e um perfil da autora e do ilustrador.

A intertextualidade e a defesa da natureza

Podemos observar que a intertextualidade nesta obra é bem evidente. O leitor não precisa se atentar tanto para perceber a presença, mesmo que sutil, de referências às histórias sobre lobos, como as fábulas de La Fontaine e Esopo, o lobo dos “Três Porquinhos”, “Chapeuzinho Vermelho” e até da história de Chico Buarque, “Chapeuzinho Amarelo”.
 

Ana Maria Machado utiliza esta intertextualidade para de certa maneira, evidenciar os problemas quanto à extinção dos lobos de todo o mundo, por isso, ao apresentar todas essas histórias, a autora tem um trabalho estilístico em seu texto. Já que, de certo modo, ao fazer referências as fábulas, aos contos de fadas tanto clássicos quanto modernos, cita um certo lobo, que era muito feroz, mas ao se encontrar com São Francisco de Assis, que é conhecido, antes de mais nada, por ser patrono dos animais, fica mansinho , pois o santo consegue domesticá-lo.
Neste âmbito, pode-se perceber que Ana Maria Machado, além de mostrar ao leitor a intertextualidade presente em sua obra, mostra também problemas relacionados ao meio ambiente, como a extinção dos lobos, que muitas vezes parecem estar esquecidos, mas que através de história como esta esses problemas sociais ficam mais evidentes aos olhos de quem as lê.
A autora traz à trama de histórias, e de certa maneira trata dos contos de fadas como ponto de partida para um assunto que cabe mais na contemporaneidade, que é a defesa da natureza, mais especificamente a defesa dos lobos que correm risco de extinção. Sendo assim, faz com que sua obra se torne mais atrativa aos olhos do leitor, pois, de acordo com Nelly Novaes Coelho (2000, p. 172), “seres mágicos que fizeram e fazem parte do imaginário popular”, foram transmitidas através das histórias contadas às crianças e que os adultos a levam para a vida toda.
 Esta obra se pauta na área da inovação, pois apresenta “uma visão panorâmica das obras criativas, ou melhor, das que apresentam valor literário original, vemos que elas podem ser distribuídas em duas grandes áreas: a do questionamento e a da representação” (Coelho, 2000, p. 150). Nelly Novaes Coelho defende a ideia de que este tipo de literatura estimula o leitor ao questionamento, “basicamente, a intencionalidade que as move: as primeiras questionam o mundo – procurando estimular seus pequenos leitores a transformá-lo”. Mas isso não basta, ao escrever uma obra literária infantil, o autor não deve deixar de lado as questões estilísticas:
 
             Tal valor deve resultar de uma visão de mundo indagadora, aberta para o que está em transformação, e de uma linguagem “sintonizada” com essa matéria contemporânea (...) o que hoje define a contemporaneidade de uma literatura é sua intenção de estimular a consciência crítica do leitor; levá-lo a desenvolver sua própria expressividade verbal ou sua criatividade latente; dinamizar sua capacidade de observação e reflexão em face do mundo que o rodeia; e torná-lo consciente da complexa realidade em transformação que é a sociedade, em que ele deve atuar quando chegar a sua vez de participar ativamente do processo em curso (Coelho, 2000, p. 151) 


Ana Maria Machado sabe e muito bem fazer isso, sendo assim, através de histórias consagradas inseridas em seu texto, contrapõe um assunto muito relevante para o momento que escreveu sobre lobos “de verdade” utilizando lobos “de mentira”.
 


        












FONTES:
 
COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise, didática. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2000.
MACHADO, Ana Maria. Procura-se lobo. São Paulo: Ática, 2005.
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terça-feira, 3 de setembro de 2013

A representação do negro na literatura infantil de Ana Maria Machado e Ruth Rocha


A literatura continua sendo um espaço privilegiado para a discussão de assuntos que extrapolam o meramente convencional. No caso específico da Literatura Infantojuvenil, uma série de obras chama a atenção pelo fato de, sem abrir mão da fantasia e do maravilhoso, abarca temas que dizem respeito à realidade do leitor, levando-o a olhar o mundo a partir de uma perspectiva diferenciada e questionadora. É importante salientar que a incursão pela fantasia não descarta a realidade. Pelo contrário, pode iluminá-la sob outros prismas e provocar sua releitura a partir da ficção.
Atualmente, a inclusão do negro na Literatura Infantojuvenil atende, em geral, à preocupação política de valorizar sua identidade cultural, seus costumes, sua autonomia expressiva, entre outros aspectos, colocando-o como o herói de sua própria história, como vemos em O amigo do rei, de Ruth Rocha, e em Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado.

No livro “O amigo do rei”, Matias é um menino negro, escravo e é o personagem principal. Na sua utopia,  a condição de escravo seria superada no momento em que reencontrasse seu povo: “um dia eu vou ser rei”, afirmava Matias com otimismo.

Ioiô, filho dos senhores donos do engenho e dos escravos, era o melhor amigo desse "rei", apesar da diferença de classe social. Certo dia, depois de uma surra que ambos levaram do pai de Ioiô, como represália a uma “trela” cometida pelos dois, Ioiô, que não estava acostumado com os castigos, propõe uma fuga. Assim é que, guiado pelo protagonista, os dois chegam ao reino dos negros, onde o herói Matias é reverenciado com honras de rei. Enfim, chegara o seu dia...

No segundo texto “Menina bonita do laço de fita, abrindo a história com a magia do “era uma vez”, o narrador nos apresenta traços da beleza negra: “uma menina linda”, de olhos brilhantes como “duas azeitonas pretas”, “cabelos enroladinhos”, “pele escura e lustrosa, que nem o pêlo da pantera negra quando pula na chuva”. Tudo isso na ótica de “um coelho branco” que morava ao lado da tal menina. Em vários momentos do enredo, observa-se a insistência do coelhinho para que esta revelasse o segredo de sua linda cor: “Menina bonita do laço de fita, qual é teu segredo pra ser tão pretinha?” Após algumas tentativas frustradas do coelho, para se tornar pretinho como aquela menina, e de justificativas infundadas da menina, “a mãe dela, que era uma mulata linda e risonha, resolveu se meter”, dizendo tratar-se de “Artes de uma avó preta que ela tinha...” Então, o coelho branco se apaixonou por “uma coelhinha escura como a noite”; namoraram, casaram-se e tiveram uma ninhada de filhotes de diversas cores, “e até uma coelha bem pretinha” (...), que se tornou afilhada daquela Menina bonita do laço de fita. O desfecho da história, apesar dos argumentos não convincentes da menina bonita, há uma construção progressiva de um sentido positivo, cujo efeito, indiscutivelmente, projeta a valorização da raça negra.

Considerando-se os níveis temáticos  e estruturais, as duas histórias concedem importante destaque aos papéis desempenhados pelos protagonistas, destacando, no caso de O amigo do rei, a atuação do negro Matias, representando a busca da identidade cultural perdida, e a adesão de Ioiô, cujo papel coadjuvante representa o reconhecimento dessa identidade e a valorização da cultura negra. Em Menina bonita do laço de fita, vê-se uma belíssima representação de superação do preconceito; em cada cena/quadro, a construção narrativa corrobora para bem-humoradas ilustrações, representando um imaginário inclusivo de forma graciosa e afetuosa.


As histórias da série “vou te contar” foram escritas pela Ruth Rocha durante os anos de 1969 a 1981 em várias revistas infantis que ela dirigiu, publicações que faziam um grande sucesso entre os pequenos.
São histórias que mostram situações e personagens que valorizam a independência de pensamento e a ousadia: um coelhinho que não queria ser coelho de Páscoa e escolhe outra profissão, um menino fazendeiro que se torna amigo de um menino escravo, um macaco e um porco que são companheiros de aventuras e saem pelo mundo ajudando as pessoas e muitas outras coisas mirabolantes, que a gente lê, relê e sempre dão muito que pensar.
Na obra “Menina bonita do laço de fita” Ana Maria Machado convida o leitor para a leitura do texto do mundo. Sua obra contribui para que as crianças se apropriem de valores como o respeito a si próprias e aos outros, além de elevar a autoestima da criança negra.
Ambas as autoras colocam como personagem central o negro, tipo de personagem até então marginalizado na literatura. O belo está justamente nas diferenças e não nas igualdades e as obras fazem lembrar dessa forma, de que é preciso se preservar a identidade cultural do negro.
Sendo assim, a Literatura infantil contribui para o processo de formação do pensamento de cada criança na sociedade. A partir dela, pode-se descortinar o espelho da vida, na busca do conhecimento de si, dos outros e de mundo, frente ao jogo mágico da fantasia e da realidade.


Para visualização da história "O amigo do rei" Acesse o link:

 Assista agora o vídeo " Menina bonita do laço de fita".
 Fontes:
MACHADO, Ana Maria. Menina bonita do laço de fita. Ilustração de Claudius. 4. ed. São Paulo: Ática, 1999.

ROCHA, Ruth. O amigo do rei. Ilustração de FURNARI, Eva. São Paulo: Ática, 1993. 


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Ana Maria Machado: contribuições à Literatura Infantil


Quando abordamos Ana Maria Machado e sua carreira de escritora na literatura infantil, sentimos a necessidade de citar um nome importante que influenciou positivamente sua formação: Monteiro Lobato. Segundo a autora, a busca pela renovação da literatura infantil deve-se ao fato de que, no Brasil, ela era pouco valorizada e o que se encontrava em circulação eram apenas algumas obras traduzidas para o português, de modo que o contexto das histórias, assim como os sentimentos e os interesses nelas discutidos, eram distantes da realidade de nossas crianças.   A influência e a importância da obra infantil de Lobato é assumida por Ana Maria Machado ao declarar que  “cresceu lendo e vivendo o universo lobatiano, foi virando gente grande e começou a mostrar a marca disso.”  (apud LAJOLO, 1983, p.102).
Ana Maria Machado defende a presença simultânea do real e do faz-de-conta nas diversas situações sociais do universo infantil. Assim como Monteiro Lobato em sua época discutiu questões de seu tempo, ela se preocupa em tratar das preocupações dos seus contemporâneos quando escreve. É notável como, sem deixar de lado o encanto e singeleza da linguagem, Ana Maria Machado busca evidenciar e trabalhar as situações reais da sociedade quando escreve, discorrendo sobre seus valores e ideais, abordando e discutindo diferentes e relevantes temas sociais de forma clara e interessante.


Veja a seguir alguns exemplos de temáticas sociais apresentadas por Ana Maria Machado em suas obras de literatura infantil:

De olho nas penas (Colonização, exílio e crítica à tradição)
Um pra lá, outro pra cá (Separação conjugal)

Beto, o carneiro (Identidade e respeito às diferenças)

Menina bonita do laço de fita (O preconceito e a diversidade cultural)
Bento que bento é o frade (Solidariedade)

História meio ao contrário (Crítica à tradição)


        Ana Maria Machado trouxe para a literatura brasileira um novo olhar e uma nova maneira  de contar histórias sem deixar de lado a função social da literatura infantil, tão importante para a formação do indivíduo e de um cidadão participante e crítico. Por isso, para ela, escrever para crianças pode ser tão ou mais complexo do que criar para adultos. Talvez, por esta razão, Ana Maria Machado não se preocupe apenas com a criação literária infantil, mas também com a reflexão acadêmica sobre o gênero, conforme comprova sua pesquisa “Contador que conta um conto faz contato em algum ponto”, monografia em que mostra as semelhanças entre nossas histórias populares com as que foram reunidas pelos Irmãos Grimm. Neste trabalho, a escritora também levanta questões importantes sobre a qualidade da literatura infantil e principalmente das edições, colocando os livros para crianças em local de destaque, longe da imagem de “bobinhos e simples”, que leitores, pais e até educadores têm sobre esse gênero literário.

           O trabalho, dedicação e cuidado com a literatura infantil levou Ana Maria Machado à conquista de vários prêmios:

João de Barro (Pref. Municipal de Belo Horizonte)
Altamente Recomendável (Fund. Nac. do Livro Infantil e Juvenil)
Prêmio Maioridade Crefisul (Crefisul)
Altamente Recomendável (Fundalectura, Bogotá, Colômbia)
Américas Award for Children's and Young Adult Literature (CLASP)
Lista de Honra (IBBY) 
Lista Melhores do Ano (Fundalectura, Bogotá, Colômbia)
Melhor Ilustração-Noma (Japão)
Melhor livro (Fund. Nac. Livro Infantil e Juvenil)
Melhor Livro Infantil Latino-americano (ALIJA - Buenos Aires)
Os 40 Livros Essenciais (Nova Escola)
Prêmio Casa de Las Americas (Casa de Las Americas, Cuba)
Prêmio APPLE (Instituto Jean Piaget, Suiça)
Prêmio Ofélia Fontes - O melhor para a criança (FNLIJ)
Selo de Ouro (Fund. Nacional do Livro Infantil e Juvenil)
Prêmio Jabuti (Câmara Brasileira do Livro)

Fontes:

www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe.sys/start.htm?infoid=133&sid=92

LAJOLO, Marisa. Ana Maria Machado: seleção de textos, notas, estudo biográfico, histórico crítico e exercícios. São Paulo: Abril educação, 1983.

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domingo, 25 de agosto de 2013

Aspectos linguísticos da literatura infantojuvenil de Ruth Rocha: uma análise de "Marcelo, marmelo, martelo"

Uma análise de Marcelo, Marmelo, Martelo

“Cada época irá proferir o discurso que revela seus ideais e expectativas em relação a criança.” (SANTOS, 2001, p. 13)
 
 
A autora Ruth Rocha parece sempre ter demonstrado um interesse particular e criterioso pelo jogo de ideias dentro universo infantil, assim como pela linguagem de suas obras. Sua primeira obra publicada, intitulada “Palavras, muitas palavras”, já nos conduz a esse pensamento. Por meio da linguagem literária, a autora cria universos únicos, em que as palavras utilizadas exercem um papel tão fundamental quanto os personagens.
 
Em seu livro “Marcelo, Marmelo Martelo”, a autora cria uma possibilidade de vivência, por parte do leitor, de situações cotidianas na busca do “eu”, uma vez que demonstra que a criança também deve e pode ter questionamentos, opiniões, atitudes, enfim, até mesmo tomar decisões. Destacamos esses aspectos psicossociais, pois não podemos nos esquecer que a imagem da criança por ela mesma e pela sociedade vem mudando gradativamente, de uma criança sem expressividade, imersa em um mundo à parte dos adultos e da realidade,  para uma criança que começa a aparecer, a se expressar e a ocupar, cada vez mais, um lugar social.

  A visão que temos hoje da criança é uma visão muito especial, que se transformou através dos tempos.”( SANTOS, 2001, p.14)

Nesse processo diacrônico da visão infantil, a literatura passou a ocupar uma função utilitária, pedagógica, e por que não dizer: educadora. E é esse aspecto que destacamos nas obras da autora Ruth Rocha: a educação por meio do raciocínio e do jogo de ideias.

Em entrevista à revista Nova Escola, a resposta da autora em relação à linguagem infantil e à linguagem desse gênero literário foi: “Dou um tom mais infantil à obra, mas não fico tentando buscar palavras que sejam mais fáceis. O livro também é uma forma de enriquecer o vocabulário, [...]”. Isso reforça a ideia de que a escritora deve utilizar a linguagem não apenas com uma finalidade narrativa, mas também pedagógica.
 
Podemos observar uma reflexão linguística em diversas obras de Rocha, no entanto, vamos nos ater a sua obra mais famosa e vendida: Marcelo, Marmelo, Martelo. As possibilidades linguísticas já são apresentadas no próprio título, em que observamos nos vocábulos "Mar-ce-lo", "Mar-me-lo" e "Mar-te-lo" a forma como a simples troca da primeira letra da segunda sílaba ("c" por "m" e depois por "t" - ce, me, te) realiza, de forma simples e descontraída, uma amostra de como funciona o sistema linguístico tão complexo da nossa língua portuguesa. A narrativa inicia com o personagem Marcelo questionando a existência das coisas, como a chuva, o mar, o cachorro.

Marcelo vivia fazendo perguntas a todo mundo:
— Papai, por que é que a chuva cai?
— Mamãe, por que é que o mar não derrama?
— Vovó, por que é que o cachorro tem quatro pernas?

E em seguida esses questionamentos se expandem para o campo da análise crítica sobre as escolhas realizadas pelos adultos, no caso, seu pai e sua mãe.


Uma vez, Marcelo cismou com o nome das coisas:
— Mamãe, por que é que eu me chamo Marcelo?
— Ora, Marcelo foi o nome que eu e seu pai escolhemos.
— E por que é que não escolheram martelo?
— Ah, meu filho, martelo não é nome de gente! É nome de
ferramenta...
— Por que é que não escolheram marmelo?

A história continua numa gradação que passa à uma análise feita pelo personagem sobre a sociedade de forma geral, e suas escolhas linguísticas.


Daí a alguns dias, Marcelo estava jogando futebol com o pai:
— Sabe, papai, eu acho que o tal de latim botou nome errado nas coisas.
Por exemplo: por que é que bola chama bola?

 
A partir desse ponto, o personagem evolui de uma criança que observava, questionava e criava hipóteses, para uma criança que toma suas próprias decisões.

E Marcelo continuou pensando:
"Pois é, está tudo errado! Bola é bola, porque é redonda. Mas bolo nem sempre é redondo [...] Eu acho que as coisas deviam ter nome mais apropriado. [...] Também, agora, eu só vou falar assim".
[...]
Logo de manhã, Marcelo começou a falar sua nova língua:
— Mamãe, quer me passar o mexedor?
— Mexedor? Que é isso?
— Mexedorzinho, de mexer café.

Gostaríamos de chamar a atenção para dois aspectos em especiais nesse livro, a evolução do personagem, e sua expressividade linguística. Por meio da linguagem, Marcelo vai se afirmar como ser por meio de uma espécie de idiossincrasia, relacionando os nomes com as coisas. Nesse momento, a autora levanta a importância da linguagem como meio de comunicação, quer entre pessoas ou grupos sociais, mas ainda assim, Marcelo vai insistir em sua autonomia enquanto pessoa, por assim dizer, por meio da linguagem, mantendo "sua forma de falar".

O pai de Marcelo resolveu conversar com ele:
— Marcelo, todas as coisas têm um nome.
E todo mundo tem que chamar pelo mesmo nome porque, senão, ninguém se entende...
— Não acho, papai. Por que é que eu não posso inventar o nome das coisas?


A história prossegue com vários neologismos que mostram as possibilidades de formação de palavras com termos da própria língua portuguesa, e não um neologismo com estrangeirismos, o que aponta para uma valorização da língua. O ápice da narrativa acontece quando a casinha do cachorrinho de Marcelo pega fogo e ele não consegue se fazer entender por meio de sua maneira de falar, isto é, por meio de seu vocabulário próprio. Com isso, a autora demonstra que a comunicação é essencial entre as pessoas, assim como a compreensão daquilo que é comunicado. O personagem Marcelo fica frustrado pelo fato dos adultos não entenderem o que ele queria dizer, e Ruth, quase que metaforicamente, expõe que, não apenas a comunicação da criança, quando direcionada a um adulto,  não recebe o devido valor/atenção, mas também que as crianças não são compreendidas pelos adultos.

Quando Seu João chegou a entender do que Marcelo estava
falando, já era tarde.
A casinha estava toda queimada. Era um montão de brasas.
O Godofredo gania baixinho...
E Marcelo, desapontadíssimo, disse para o pai:
— Gente grande não entende nada de nada, mesmo!

Ao final da obra, podemos observar mais uma vez o papel fundamental da linguagem e da boa comunicação, como meio de aceitação do indivíduo.

E agora, naquela família, todo mundo se entende muito bem.
O pai e a mãe do Marcelo não aprenderam a falar como ele, mas
fazem força pra entender o que ele fala.

Isso demonstra também, como dissemos ao início, como a imagem que da criança está em evolução, ou seja, como a criança, com o passar dos anos, vem sendo cada vez mais valorizada e cuidada. Podemos perceber, então, que a linguagem literária, mesmo para crianças, não necessita ser restrita, da mesma forma que as reflexões possibilitadas pelas obras infantis não precisam se restringir a simples observações de cunho moral, mas podem, como bem nos mostra Ruth Rocha, abarcar reflexões complexas, não apenas sobre o indivíduo, a sociedade, família, etc., mas também uma reflexão sobre a linguagem. Reflexões essas que, dado o sucesso da obra, nos demonstram que podem ser realizadas pelas crianças.
 
Reforçando o aspecto linguístico da literatura infantil de Ruth Rocha, ressaltamos que essa utilização linguisticamente rica da autora se encontra em todas as suas obras, com palavras que não menosprezam a capacidade intelectual de seu leitor, no caso, infantil/juvenil, mas também não lhe é incompreensível, inalcançável. Com uma linguagem de aspecto simples, porém de grande profundidade, a escritora é capaz de conciliar a reflexão moral, social e interna da criança, com uma reflexão sobre a linguagem e seus usos.

Assim, encerramos com uma citação de Moreira, que embora um pouco longa, consideramos essencial:

“[..] a linguagem constitui a chave que abrirá as portas de um mundo novo, desconhecido, mas repleto de perspectivas fantásticas. Por meio dela, a literatura se concretiza. A palavra é o instrumento de que se utiliza o escritor para transmitir seu pensamento; por isso, manipulá-la de forma criativa, mas com clareza e eficiência, é o desafio proposto a quem usa a palavra artisticamente. Assim, o jovem leitor, ao dominar a palavra escrita, entra no jogo para se acostumar com ela, explorando-lhe as possibilidades, desvendando os seus mistérios, tendo prazer no seu convívio. A linguagem se produz de modo integral quando intervem as estruturas fonológica, morfossintática e semântica. [...] A criatividade buscada na linguagem encontra-se na maneira de trabalhar, combinar e (re)aproveitar a imensa gama de recursos linguísticos da língua materna, sendo criado, pelo escritor, um sistema eficiente, mas, sobretudo, instigante e original. As combinações linguísticas engendradas resultam em marcas próprias que alcançam efeitos surpreendentes com fatos da língua simples e comuns, mas operacionalizados com mestria. A palavra, considerada em diferentes níveis, numa abordagem linguística plena, será apreciada, mesmo inconscientemente, porque possibilitará divertimento, aliado à sensibilidade.”

Sem dúvida, podemos observar claramente essa "criatividade buscada na linguagem", na literatura de Ruth Rocha.

BIBLIOGRAFIA
MOREIRA, S. M. Neologismos lexicais e aspectos lúdicos em obras literárias contemporâneas para crianças e jovens. Disponível em: http://revistas.unibh.br/index.php/dchla/article/view/403  

ROCHA, R. Marcelo, Marmelo, Martelo e outras histórias. Disponível em: http://www.unilago.com.br/download/arquivos/20996/[Infantil]_Ruth_Rocha_-_Marcelo_Marmelo_Martelo.pdf 

SANTOS; M. A.C. A compreensão de ser criança na contemporaneidade brasileira: A família , a sociedade e a escola. Disponível em: http://www.nead.unama.br/site/bibdigital/monografias/SER_CRIANCA.pdf

TALAMONI, Daniela. "Ruth Rocha": Leitura não pode ser só folia. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/leitura-nao-pode-ser-so-folia-423575.shtml 

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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Ana Maria Machado: a história de quem faz história

 


De acordo com Marisa Lajolo (1983), Ana Maria Machado, foi uma menina de infância feliz, criada no meio das fantasias e encantos das letras, apresentadas e contadas em forma de histórias por seus avós Ceciliano, Rita e por amigos, tendo como cenário principal a praia de Manguinhos no Espírito Santo, onde passava longas temporadas de férias. Com todos estes elementos instigadores, não poderíamos esperar outra coisa se não a revelação de uma grande “fada” das palavras. No entanto, com toda sua criatividade, não poderia imaginar o longo caminho que percorria e a pessoa importante que se tornaria na literatura infantil, não somente a brasileira, mas a mundial. 
  Nascida no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro, no dia 24 de dezembro de 1941, a escritora, jornalista, professora e pintora é a filha mais velha de Mário de Souza Martins e Dinah Almeida de Souza Martins. A própria Ana Maria Machado ressalta que quando criança foi uma menina que aprendeu a ler antes mesmo de completar 5 anos de idade e passava horas de seu tempo fazendo leituras de livros como: Reinações de Narizinho, que era seu preferido. O gosto e a prática da leitura e da escrita resultaram em sua primeira publicação as 12 anos de idade, o texto “Arrastão”, publicado na revista Folclore.
 Ao conhecermos a história desta autora, percebemos que sua educação foi prestigiada por um mundo de livros e leituras. Em todos os relatos de suas experiências, observamos o universo literário que a cerca, não só a família, mas também a companhia dos amigos. Ainda de acordo com a escritora, mais tarde estudou pintura na Escolhinha de Arte de Artes do Brasil, em seguida no Museu da Arte Moderna. Posteriormente, ingressou na faculdade, e como no momento não havia formado nenhuma opinião sobre que curso realizar, optou por Geografia. No entanto, desistiu do curso para estudar Letras na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, nomeada atualmente Universidade Federal do Rio de Janeiro.
 Como professora, prosseguiu seus estudos voltados para a literatura, lecionando em colégios e faculdades. Também foi neste mesmo período em que a autora foi procurada pela Editora Abril com a proposta de que escrevesse textos infantis para a revista Recreio, que iniciava um trabalho promissor dirigido ao leitor infantil. Ela aceitou o convite e seus textos foram muito bem aceitos pelo público. Ana Maria Machado começou a mostrar seu trabalho e a encantar os apaixonados por literatura infantil, uma oportunidade que lhe abril grandes portas como escritora.
Em meio a Ditadura Militar, Machado sentiu todas as consequências dessa situação de desraizamento e viu-se obrigada a sair do Brasil na tentativa de escapar da situação politica e imparcial que se apresentava no país. No final de 1972, voltou ao Brasil e deu continuidade a sua carreira de jornalista. Em 1977, Ana Maria Machado começa a transformar seus textos em livros de literatura infantil, como "Bento – que – Bento – é – o – Frade", e no ano seguinte recebe o prêmio João De Barro pelo livro “História Meio ao Contrário”, o primeiro de muitos prêmios de sua carreira. Em 1979, ao sentir uma grande dificuldade em encontra livros específicos da literatura infantil, Ana Maria Machado revela ter tido a ideia de organizar e inaugurar, no Rio de Janeiro, uma livraria especializada nesse público, a livraria Malasartes. 
Para ilustrar, este vídeo retrata um pouco sobre a grande trajetória de nossa Ana Maria Machado. aqui você poderá conferir suas principais obras de sua vasta literatura para crianças e também para adultos.

Fontes:
LAJOLO, Marisa. Ana Maria Machado: seleção de textos, notas, estudos biográficos, histórico e critico e exercícios. São Paulo: Abril Educação, 1983.
MACHADO, Ana Maria. [Biografias: Livros: Cadernos de notas: Novidades: Correio]. [2011]. disponível em . Acesso: 12/08/2013
 
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Ruth Rocha, algo sobre...


Ruth Machado Louzada Rocha, filha de casal carioca, mas paulistana de nascença. Ruth Rocha se encontra hoje entre os maiores nomes da Literatura Infanto Juvenil, com várias coleções lançadas, e centenas de livros publicados, atinge a marca de mais de 10 milhões de exemplares vendidos, não apenas no Brasil, mas também em outros países.

Socióloga, formada pela Universidade de São Paulo, com pós graduação em Orientação Educacional. Antes de se consagrar como escritora, atuou como orientadora no Colégio Rio Branco, trabalhou como escritora de artigos sobre educação, participou da criação da revista recreio, da editora Abril, onde surgiu a oportunidade de publicar suas primeiras histórias.
 
As obras de Ruth Rocha, ganhadoras do prêmio Jabuti de literatura, são:

a) “Uma história de rabos presos” (na categoria Literatura Infantil, em 1990);

b) Coleção “Escrever e criar. É só começar”. 5ª e 8ª séries do ensino fundamental (na categoria Livro Didático, em 1997);

c) Coleção “escrever e criar. Uma nova opção”. 1º e 2º graus (essa coleção foi vencedora nas categorias: livro do ano – não ficção e Livro Didático, no ano de 2002);

 d) Coleção “Pessoinhas” (na categoria Didáticos e Paradidáticos, em 2011).

Outros prêmios

Em1998 foi condecorada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com a Comenda da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura.

Em 2002, recebeu também o Prêmio Moinho Santista de Literatura Infantil, da Fundação Bunge.

Ganhou também o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, em 2003, na categoria Literatura Infantil, pela adaptação de  “Odisséia”.

Enfim, a escritora Ruth Rocha recebeu várias premiações e homenagens, das quais não haveria como listÁ-las todas aqui. Atualmente, ela é membro do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta.

Para encerrar
 
O vídeo a seguir, relata de forma bastante precisa toda a trajetória desta grande autora, suas premiações, publicações, etc. Ela que, antes de tudo, é também mãe, avó, mulher, profissional da área de educação e um exemplo para muitos, ensinando aos jovens, crianças e até mesmo os adultos, por meio de suas obras repletas de conteúdos sócio-educativos e pedagógicos.





FONTES VIRTUAIS
 


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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Didático e maravilhoso: O Saci, de Monteiro Lobato


Olá leitores, depois de uma aula de Literatura Infanto-juvenil com nosso professor da graduação (criador do blog), em que foi discutida a obra de Monteiro Lobato, resolvemos trazer à tona esse maravilhoso escritor que com sua obra foi o marco inicial da literatura infantil no Brasil.

Percebemos que não há na obra de Lobato uma leitura simplista e maniqueísta do mundo, pois a literatura do autor tem o viés de desenvolver o senso crítico no espirito da criança e, para tanto, não a trata como incapaz de desenvolver um olhar crítico sobre a literatura e a sociedade. No livro Caçadas de Pedrinho, por exemplo, quando os animais apavorados pela morte da companheira onça, fazem uma assembleia e traçam um plano de ação para resolverem a situação. Assim, o autor humaniza os animais, pois eles falam, incentivando/ensinando a criança que a organização faz parte da sociedade, e que devemos nos organizar para resolvermos assuntos que dizem respeitos a determinado grupo. Os animais não vencem, mas dão o maior susto nos moradores do sítio.

Na obra não paradidática do autor não há construção de narrativas voltadas predominantemente para a dimensão educativa, pois se há elementos que expressam preocupações didáticas, eles não convergem para o final. Há uma preocupação com o ensinar, mas isso não se sobrepõe ao fantástico, ao lúdico e ao maravilhoso. Não há amarração do discurso pedagógico voltado para o final feliz. Por exemplo, no fim da história de O saci, a personagem Narizinho é pega pela vilã Cuca e transformada em pedra e a luta então dos personagens Pedrinho e  Saci por reverter a mágica é o foco da narrativa, sobrepondo-se ao discurso escolar presente nas falas do personagem Saci, que ensina a Pedrinho os segredos da floresta e seus habitantes, sejam vegetais ou animais. E mesmo apresentando uma dimensão educativa, propícia para ser explorada nas auas de biologia ou ciências, seu discurso não parece um corpo estranho à ação narrativa pois se insere perfeitamente na trama, apresentando-se  natural à situação vividas pelos protagonistas, Pedrinho e Saci.  Como o primeiro desconhece a floresta e seus habitantes por ser criado no meio urbano e tenha curiosidade sobre esse mundo que lhe é desconhecido, as explicações do Saci são justificadas por uma necessidade da ação narrativa. Como se pode ver,  a obra pode ser explorada na sua dimensão mágica, pois a narrativa se apresenta como gênero de aventuras, juntamente com a sua  dimensão pedagógica, pois apresenta um olhar cientifico sobre a natureza, chegando mesmo a discutir de maneira muito crítica a relação homem x natureza através dos diálogos entre o Saci e Pedrinho.

 


Assim como argumentamos com respeito à obra O Saci, o discurso pedagógico também está em segundo plano, pois ocorre “perfeitamente” entrelaçado ao literário, de modo que, segundo Perrotti (1986), podemos considerar esse tipo de discurso como estético e, por consequência, o texto como sedutor.

Outro aspecto positivo de  O Saci é que a obra depõe contra a ideia de que Lobato é racista, pois o Saci é o herói da história e é dez vezes mais inteligente que Pedrinho. Essa questão do racismo em obras do autor já foi discutida aqui no blog, e pode ser vista por meio dos seguintes links: http://migre.me/caAR0; http://migre.me/caAS7; http://migre.me/caAU4.

Para finalizar, sem duvidas um dos grandes achados de Lobato foi conseguir mostrar o “maravilhoso” como possível de ser vivido por qualquer um. Com a mistura do imaginário com a realidade concreta ele mostra no mundo prosaico do cotidiano a possibilidade de ali acontecerem aventuras maravilhosas que, em geral, só eram possíveis nos contos de fadas ou no mundo das fábulas, e mesmo assim só vividas por seres extraordinários.
 
Por fim, uma observação a ser feita: essa postagem foi elaborada com base nas aulas da disciplina de Literatura infantojuvenil ministrada pelo Professor Doutor Marciano Lopes e Silva sobre Monteiro Lobato e as obras em questão.
 

Dicas:
 

Para quem quiser ler a obra Caçadas de Pedrinho completa: http://migre.me/cawK2
 
Para conhecer a vida e obra de Monteiro Lobato: http://migre.me/c5t21
 
Para quem não conhece a história do inicio da literatura infanto-juvenil em nosso país, no link http://migre.me/c5tlJ encontramos um pouco sobre marco inicial dessa literatura, um pouco sobre as contribuições e importância das obras “lobatianas” para o público infantil e também a ligação de seus personagens com o folclore, cuja presença na obra tinha como objetivo valorizar a cultura popular brasileira.
 

Referências

PERROTTI, Edmir.  O texto sedutor na literatura infantil. São Paulo: Ícone, 1986
 

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