Mostrando postagens com marcador Literatura Juvenil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura Juvenil. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O índio "bom selvagem" na Literatura Infantojuvenil

Nossas crianças são presenteadas com várias personagens indígenas desde os primeiros anos de vida. As histórias em que o índio é representado acompanham também a faixa juvenil chegando aos leitores adultos. A gama de publicações é imensa e, para cada público específico, mais lançamentos aparecem a cada ano.
Para a grande maioria da população, causa surpresa o fato de escritores consagrados que, não sendo índios, têm em sua biografia romances com essa temática e voltados para o público infantil.

Um exemplo é o livro “As aventuras de Tibicuera” de Érico Veríssimo, em que a personagem narra sua trajetória através de fatos históricos do Brasil. Trata-se de uma mistura de fatos reais e ficção que, além de ensinar, diverte e permite que a história se desenrole como "um romance de aventuras que se passa na Terra e tem como personagem principal a Humanidade".

Mas, como esse índio brasileiro é representado nessas histórias? A representação quase sempre é a do índio como bom selvagem, conforme nos aponta Bonin e Kirchof:

 “ (...) a representação do índio como bom selvagem, tanto na visão hegemônica de sujeito dócil quanto na visão romântica de personagem idealizado. Geralmente ele  (índio),incorpora essas identidades quando é cristianizado ou submetido a um projeto de civilização, e assim, numa perspectiva utilitária, passa, de alguma forma, a servir ao colonizador .”

Tanto em “As aventuras de Tibicuera” como em “Expedição aos martírios” e “Volta à serra misteriosa” de Francisco Marins, essa representação se repete e deixa evidente o intuito de caracterizar esse herói romântico: índio cristianizado, dedicado totalmente ao branco, cheio de bravura e coragem.

BIBLIOGRAFIA

 VERÍSSIMO, E. As aventuras de Tibicuera. São Paulo: Companhia  das Letras, 2005.

BONIN, I.T., KIRCHOF, E.R. Entre o bom selvagem e o canibal: representações de índio na literatura infantil brasileira em meados do século XX.  Disponível em: www.revistas2.uepg.br   Capa  Vol. 7 (2012)
MARINS, F., Volta à Serra Misteriosa. Coleção A Aventura de ler – São Paulo: Editora Melhoramentos. 1977.
MARINS, F., Expedição aos martírios. Coleção A Aventura de ler – São Paulo: Editora Melhoramentos. 2005.
                                          
                                                                                              
 GT 3

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Didático e maravilhoso: O Saci, de Monteiro Lobato


Olá leitores, depois de uma aula de Literatura Infanto-juvenil com nosso professor da graduação (criador do blog), em que foi discutida a obra de Monteiro Lobato, resolvemos trazer à tona esse maravilhoso escritor que com sua obra foi o marco inicial da literatura infantil no Brasil.

Percebemos que não há na obra de Lobato uma leitura simplista e maniqueísta do mundo, pois a literatura do autor tem o viés de desenvolver o senso crítico no espirito da criança e, para tanto, não a trata como incapaz de desenvolver um olhar crítico sobre a literatura e a sociedade. No livro Caçadas de Pedrinho, por exemplo, quando os animais apavorados pela morte da companheira onça, fazem uma assembleia e traçam um plano de ação para resolverem a situação. Assim, o autor humaniza os animais, pois eles falam, incentivando/ensinando a criança que a organização faz parte da sociedade, e que devemos nos organizar para resolvermos assuntos que dizem respeitos a determinado grupo. Os animais não vencem, mas dão o maior susto nos moradores do sítio.

Na obra não paradidática do autor não há construção de narrativas voltadas predominantemente para a dimensão educativa, pois se há elementos que expressam preocupações didáticas, eles não convergem para o final. Há uma preocupação com o ensinar, mas isso não se sobrepõe ao fantástico, ao lúdico e ao maravilhoso. Não há amarração do discurso pedagógico voltado para o final feliz. Por exemplo, no fim da história de O saci, a personagem Narizinho é pega pela vilã Cuca e transformada em pedra e a luta então dos personagens Pedrinho e  Saci por reverter a mágica é o foco da narrativa, sobrepondo-se ao discurso escolar presente nas falas do personagem Saci, que ensina a Pedrinho os segredos da floresta e seus habitantes, sejam vegetais ou animais. E mesmo apresentando uma dimensão educativa, propícia para ser explorada nas auas de biologia ou ciências, seu discurso não parece um corpo estranho à ação narrativa pois se insere perfeitamente na trama, apresentando-se  natural à situação vividas pelos protagonistas, Pedrinho e Saci.  Como o primeiro desconhece a floresta e seus habitantes por ser criado no meio urbano e tenha curiosidade sobre esse mundo que lhe é desconhecido, as explicações do Saci são justificadas por uma necessidade da ação narrativa. Como se pode ver,  a obra pode ser explorada na sua dimensão mágica, pois a narrativa se apresenta como gênero de aventuras, juntamente com a sua  dimensão pedagógica, pois apresenta um olhar cientifico sobre a natureza, chegando mesmo a discutir de maneira muito crítica a relação homem x natureza através dos diálogos entre o Saci e Pedrinho.

 


Assim como argumentamos com respeito à obra O Saci, o discurso pedagógico também está em segundo plano, pois ocorre “perfeitamente” entrelaçado ao literário, de modo que, segundo Perrotti (1986), podemos considerar esse tipo de discurso como estético e, por consequência, o texto como sedutor.

Outro aspecto positivo de  O Saci é que a obra depõe contra a ideia de que Lobato é racista, pois o Saci é o herói da história e é dez vezes mais inteligente que Pedrinho. Essa questão do racismo em obras do autor já foi discutida aqui no blog, e pode ser vista por meio dos seguintes links: http://migre.me/caAR0; http://migre.me/caAS7; http://migre.me/caAU4.

Para finalizar, sem duvidas um dos grandes achados de Lobato foi conseguir mostrar o “maravilhoso” como possível de ser vivido por qualquer um. Com a mistura do imaginário com a realidade concreta ele mostra no mundo prosaico do cotidiano a possibilidade de ali acontecerem aventuras maravilhosas que, em geral, só eram possíveis nos contos de fadas ou no mundo das fábulas, e mesmo assim só vividas por seres extraordinários.
 
Por fim, uma observação a ser feita: essa postagem foi elaborada com base nas aulas da disciplina de Literatura infantojuvenil ministrada pelo Professor Doutor Marciano Lopes e Silva sobre Monteiro Lobato e as obras em questão.
 

Dicas:
 

Para quem quiser ler a obra Caçadas de Pedrinho completa: http://migre.me/cawK2
 
Para conhecer a vida e obra de Monteiro Lobato: http://migre.me/c5t21
 
Para quem não conhece a história do inicio da literatura infanto-juvenil em nosso país, no link http://migre.me/c5tlJ encontramos um pouco sobre marco inicial dessa literatura, um pouco sobre as contribuições e importância das obras “lobatianas” para o público infantil e também a ligação de seus personagens com o folclore, cuja presença na obra tinha como objetivo valorizar a cultura popular brasileira.
 

Referências

PERROTTI, Edmir.  O texto sedutor na literatura infantil. São Paulo: Ícone, 1986
 

GT 2: Autores Consagrados

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Aventuras e mistérios com "Os Karas", de Pedro Bandeira.




Quantas vezes ouvimos adolescentes dizerem que não gostam de ler? Muitos destes que afirmam isso talvez estejam embasados apenas em livros que os professores pedem pra ler  em sala de aula, para provas e trabalhos. Muitos de literatura clássica, com linguagens e temas nada adequados aos jovens de hoje em dia.

Essa ainda é a realidade de muitos adolescentes, porém, há aqueles ainda que  estão cada vez mais criando o gosto pela leitura após a leitura de diversos best sellers sobre seres mitológicos, sobre bruxos,  lobisomens, entre tantos outros tipos de ficção que contribuíram para um avanço do gosto pela leitura entre os jovens. 

A proposta desse post é apresentar literatura juvenil de um dos melhores autores brasileiros desse gênero: Pedro Bandeira. 

Pedro Bandeira é um escritor de muitos gêneros. Uma produção de quase cem títulos,  aproximadamente vinte e dois milhões de livros vendidos e vários prêmios literários. Pedro Bandeira é múltiplo e consagrado.

A agilidade da linguagem narrativa, a inventividade com que produz suspense, a admirável capacidade de despertar sensações e sentimentos, responsáveis pela sincera identificação com seus leitores, talvez sejam alguns ingredientes para esse enorme sucesso. 

Como já dissemos, Pedro Bandeira escreveu muitos livros. Dentre eles, alguns bem conhecidos, tanto em literatura infantil, quanto juvenil. A Marca de Uma Lágrima; Agora Estou Sozinha; O Fantástico Mistério de Feiurinha; Mais Respeito, Eu Sou Criança!; As Cores de Laurinha - entre tantos outros.

 

Hoje, falaremos mais especificamente sobre uma série de livros que contém temas diversos: aventura, mortes, sequestros, paixões, investigações policiais, entre muitos outros assuntos que os adolescentes irão adorar, e ainda com pessoas reais, jovens também. 

Quem já ouviu falar dos Karas? Cinco nomes: Magrí, Miguel, Chumbinho, Calú e Crânio.  Cinco livros:  Droga da Obediência, Pântano de Sangue, Anjo da Morte, A Droga de Amor e Droga de Americana




Os Karas formam um grupo secreto de adolescentes que se reúnem para desvendar alguns crimes que acontecem na cidade em que eles moram. Cada personagem é um ponto muito importante dentro do grupo. Cada um com suas características diferentes, acabam  se complementando:

Miguel: é quem decidiu, por brincadeira, a princípio, formar o grupo secreto no Colégio Elite, onde é presidente do Grêmio Estudantil. É também líder do grupo. Tem as principais decisões do grupo e lidera os próximos passos de cada um dos membros.

Crânio: como o apelido já sugere, é o gênio dos Karas. É calado e pensativo, especialista em decrifrar os mistérios e códigos.

Calú: é um ator profissional, portanto, ele é responsável pelos disfarces necessários a cada situação. É extrovertido e brincalhão, sempre anima a turma.

Magrí: a única menina do grupo é ginasta olímpica. Ela acrescenta as qualidades da sensibilidade e delicadeza ao grupo, mas sem cair no estereótipo da "donzela em apuros", pois não deixa de se apresentar como muito corajosa, sempre para enfrentar qualquer perigo e dificuldade.

Chumbinho: é aficcionado por aventuras, video-game e computadores. Descobriu o grupo secreto e obrigou seus membros a aceitarem a sua participação. Porém, provou ser um verdadeiro Kara, disposto a tudo pela turma. 

Detetive Andrade: não é um Kara. É um detetive da cidade que, sendo super preocupado com os jovens, se tornou um paizão para a turma, sempre os ajudando, mesmo sem saber que formam um grupo secreto (ele acredita que o grupo apenas se mete em confusões).

Os livros dessa série são de linguagem bem simples e rápida, cheia de fôlego para acompanhar o ritmo das aventuras. O livro é repleto de códigos secretos que tornam ainda mais divertida a leitura. Utilizam o conhecido código morse, e outros que eles mesmo criam para se comunicarem. O clima de suspense e mistério permanece até o fim, sempre com um final surpreendente.

Há um site muito interessante criado para os fãs das obras. Nele, encontra-se tudo que diz respeito a essas ficções criadas por Pedro Bandeira: os personagens, as aventuras, os códigos, os vilões que os karas enfrentam e ainda muitas entrevistas com o autor, fotos e muito mais! Vale a pena conferir. Há também nesse site, um breve resumo de cada obra, que vale a pena mostrar, para que todos possam saber um pouco mais sobre essas tão faladas aventuras:






Para finalizar, há ainda um novidade! Pedro Bandeira diz em entrevista que está escrevendo uma nova aventura dos Karas! Agora, saberemos sobre suas vidas depois de adultos. Para saber mais sobre o novo livro, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/1079804-pedro-bandeira-prepara-livro-com-os-karas-agora-adultos.shtml 


Para saber um pouco mais sobre o autor, confiram site:

GT2: Autores Consagrados


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Os protagonistas da literatura juvenil brasileira contemporânea premiada


Em seu PIBIC (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) recém encerrado, a aluna Mariana Cristine Gonçalles (Letras/UEM) sob orientação da Dra. Mirian Hisae Y. Zappone desenvolveu o projeto de pesquisa intitulado "Imagens do adolescente na Literatura juvenil brasileira contemporânea premiada".  Ela estudadou 10 romances juvenis premiados pelas instituições Câmara Brasileira do Livro e Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil entre os anos de 2006 a 2010 com o objetivo de delinear o perfil social (sexo, orientação sexual, cor, religião, classe social, idade) dos seus protagonistas e discutir as mudanças observadas na temática e na caracterização dos mesmos com relação à literatura juvenil tradicional, anterior aos anos 70 - momento em que ocorre uma intensa renovação do gênero. As obras estudadas foram:

1.    Heroísmo de Quixote, de Paula Mastroberti, editora Rocco;

2.   Ciumento de Carteirinha, de Moacyr Scliar, editora Ática;
 
3.   O Barbeiro e o judeu da prestação contra o Sargento da Motocicleta, de Joel Rufino dos Santos, editora Moderna Ltda;
 
4.   Cidade dos Deitados, de Heloísa Prieto, editora Cosac Naify;

5.   Avó dezanove e o segredo do soviético, de Ondjaki, Companhia das Letras;
 
6.   Lis no peito: um livro que pede perdão, de Jorge Miguel Marinho, editora Biruta;
 
7.   O rapaz que não era de Liverpool, de Caio Riter, editora SM;
 
8.   Era no tempo do rei: um romance da chegada da corte, de Ruy Castro, editora Objetiva;
 
9.   O fazedor de velhos, de Rodrigo Lacerda, editora Cosac Naify; e

10.             A espada e o novelo, de Dionisio Jacob, editora SM.
 
Os resultados “foram submetidos ao programa Sphinx 5.1 – Versão Léxica, que gerou tabelas e gráficos com os dados quantitativos, posteriormente confrontados com os qualitativos”.
Os resultados quantitativos apontam para o fato de que “a literatura juvenil brasileira contemporânea premiada inova em diversos aspectos, como temas denunciadores e algumas características referentes à representação dos personagens”, mas considera também que “permanecem muitas ideologias conservadoras e tradicionais, que apresentam os valores das classes dominantes”. Analisando-se os resultados estatísticos, percebe-se que predominam – em um total de 11 protagonistas – personagens adolescentes e/ou jovens (7), brancos (7), heterossexuais (9) do sexo masculino (10), católicos (5, sendo 3 sem indício) e não pobres (5 da classe média e 3 da elite).
Com respeito aos resultados qualitativos, o relatório da pesquisa não aprofunda a discussão ao que diz respeito à permanência de “ideologias conservadoras e tradicionais”, mas é muito provável que a jovem pesquisadora se refira à hegemonia das características vistas, que apontam para um modelo de protagonista – que por sua vez prevê um perfil similar de leitor – masculino, branco, heterossexual, católico e de classe média ou alta, pois também conclui sobre a necessidade de a literatura juvenil brasileira retratar “mais realidades e culturas, de forma a inserir no universo ficcional para jovens as diferenças, incrementando seu conhecimento de mundo e do próprio ser humano”.
Conforme sua pesquisa parece demonstrar, há novidades boas nestas obras premiadas, tais como a incorporação de protagonistas jovens, uma redução da assimetria entre narrador e leitor, a inclusão de temas novos e polêmicos - tais como as drogas e a marginalidade/criminalidade -, mas o perfil dos protagonistas e dos leitores destas obras privilegia os privilegiados, ou seja, a identidade social dos jovens pertencentes à elite e que se enquadram nos valores dominantes na sociedade. Tais resultados levantam a seguinte questão: estarão as duas instituições consagradoras do gênero privilegiando este perfil ou este perfil acaba por ser destacar entre as obras premiadas devido à maioria esmagadora das obras que circulam no mercado privilegiá-lo? Eis uma boa questão a ser investigada.

prof. Marciano Lopes